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Boris Johnson toma posse como primeiro-ministro do Reino Unido

Novo premier terá tarefa de concluir o processo do Brexit

24 jul 2019
12h21
atualizado às 12h27
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O novo líder do Partido Conservador, Boris Johnson, tomou posse nesta quarta-feira (24) como primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo Theresa May.

Boris Johnson faz primeiro discurso como premier do Reino Unido
Boris Johnson faz primeiro discurso como premier do Reino Unido
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Ex-secretário das Relações Exteriores (2016-2018) e ex-prefeito de Londres (2008-2016), Johnson tem 55 anos e assume o país com a tarefa de concluir o processo de saída da União Europeia, o chamado "Brexit".

O líder conservador foi empossado formalmente pela rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham, e se tornou o 14º primeiro-ministro de seu reinado. Após deixar o palácio, Johnson fez um pronunciamento em frente à residência oficial de Downing Street e prometeu fazer um acordo "novo e melhor" com a UE.

Além disso, prestou "tributo" à "paciência e à força moral" de May e por seu "profundo senso de serviço público", mas afirmou que "pessimistas em casa e no exterior" veem o Reino Unido como "prisioneiro dos velhos argumentos de 2016", ano do plebiscito do Brexit.

"O povo britânico já se cansou de esperar, e chegou a hora de agir para dar uma liderança forte", disse o premier, enquanto manifestantes europeístas protestavam perto da residência oficial.

Renúncia

Em seu último pronunciamento como chefe de governo, realizado na frente da residência de Downing Street e ao lado de seu marido, Philip, May afirmou que foi uma "grande honra" servir como premier.

"Espero que cada jovem que tenha visto uma mulher como primeira-ministra agora tenha certeza de que não há limites para o que ela pode alcançar", declarou a ex-premier, enviando também "calorosas felicitações" a Johnson.

May foi a segunda mulher a governar o Reino Unido, após a também conservadora Margaret Thatcher (1979-1990). Eleita premier em julho de 2016, depois da renúncia de David Cameron por conta do plebiscito do Brexit, ela tinha como principal tarefa concluir o acordo para retirar o Reino Unido da UE.

A ex-primeira-ministra até conseguiu assinar um tratado com Bruxelas, mas o texto desagradou à oposição trabalhista, que quer a manutenção de vínculos mais fortes com o bloco, assim como a uma parte considerável do Partido Conservador, que deseja um rompimento mais "duro".

Johnson é um dos líderes dessa facção e renunciou ao posto de secretário de Relações Exteriores por discordar da abordagem do governo nas negociações. Criticada por aliados e adversários, May viu seu acordo ser rejeitado três vezes pelo Parlamento. Quando percebeu que sofreria a quarta derrota, decidiu entregar o cargo.

Brexit

Um dos principais pontos de discórdia do tratado entre Londres e Bruxelas é o chamado "backstop". Esse mecanismo prevê a manutenção de fronteiras abertas entre Irlanda do Norte, território britânico, e República da Irlanda, Estado-membro da UE, caso o Reino Unido e o bloco não concluam um acordo comercial no período de transição.

Os grupos pró-Brexit temem que isso crie uma espécie de fronteira dentro do próprio Reino Unido e acusam Bruxelas de tentar anexar informalmente uma parte do território britânico. Por outro lado, o tratado que pacificou as Irlandas em 1998 prevê fronteiras abertas para evitar o ressurgimento da violência separatista.

Adepto de uma postura "linha dura", Johnson promete tirar o Reino Unido da UE em 31 de outubro, o prazo fatal do Brexit, mesmo se não houver acordo. Ele também já ameaçou não pagar as 39 bilhões de libras esterlinas da conta do "divórcio" com Bruxelas.

Johnson chama o backstop de "monstruosidade" que tira a "soberania" britânica e exige sua remoção do acordo com a União Europeia, que, por sua vez, já disse inúmeras vezes que não renegociará os termos do tratado.

Ansa - Brasil   
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