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Bolsonaro diz que incêndios não podem levar a sanções

Presidente disse que incêndios florestais existem em todo o mundo e não podem servir de pretexto para sanções

23 ago 2019
22h05
atualizado às 22h17
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Em um pronunciamento em cadeia nacional, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que seu governo tem "tolerância zero" com a criminalidade também na área ambiental e disse que os incêndios na Amazônia não podem servir de pretexto para retaliações internacionais.

O presidente disse que em todos os anos ocorrem queimadas na região. "Em anos mais quentes, como nesse, 2019, elas ocorrem com maior frequência", argumentou. Bolsonaro alegou que os incêndios neste ano estão dentro da média dos últimos quinze anos e afirmou que o governo não está satisfeito com a situação e pretende atuar para controlar as queimadas.

Bolsonaro enfrenta pressão internacional diante incêndios florestais
Bolsonaro enfrenta pressão internacional diante incêndios florestais
Foto: DW / Deutsche Welle

Bolsonaro criticou ainda supostos "dados infundados" que, segundo ele, estariam sendo espalhados para o uso político e desinformação. "Incêndios florestais existem em todo o mundo e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção de sua floresta amazônica", destacou.

No pronunciamento, Bolsonaro não citou diretamente países europeus que ameaçaram impor boicotes ao país e bloquear o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul devido às políticas ambientais do governo brasileiro. Entretanto, ao afirmar que o Brasil é exemplo de sustentabilidade, o presidente aproveitou para alfinetar os países desenvolvidos argumentando que essas nações "não conseguiram avançar com seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris".

O presidente disse ainda que o Brasil recebeu apoio de outros países, sem citar quais, para combater os incêndios e levar a posição brasileira à cúpula do G7. "Seguimos como sempre abertos ao diálogo, com base no respeito, na verdade e cientes da nossa soberania", ressaltou.

Na quinta-feira, o presidente francês, Emannuel Macron sugeriu que as queimadas e o desmatamento da Amazônia brasileira deveriam ser tema de reuniões na cúpula do G7, que ocorre a partir desta sexta-feira em Biarritz, no sudoeste da França. A proposta foi apoiada pela chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel.

No pronunciamento de pouco mais de quatro minutos, Bolsonaro reconheceu ainda que a situação tem atraído atenção internacional e afirmou que a floresta é fundamental para o país. "Devido a minha formação militar e minha trajetória como homem público, tenho profundo amor e respeito pela Amazônia", afirmou.

Bolsonaro disse também estar ciente que é dever do governo proteger a floresta. O presidente ressaltou, no entanto, que os brasileiros que moram na Amazônia guardam "um dinamismo econômico proporcional às riquezas ali existentes".

"Para a proteger a Amazônia não bastam operações de fiscalização, comando e controle, é preciso dar oportunidade a toda essa população que se desenvolva junto com o restante do país é nesse sentido que trabalham todos os órgão do governo", acrescentou.

Em meio à pressão internacional, Bolsonaro autorizou nesta sexta-feira o uso das Forças Armadas para combater os incêndios florestais na Amazônia. Segundo o decreto, as tropas poderão atuar a partir de sábado em "áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal". A medida vale incialmente até 24 de setembro.

Nas últimas semanas, a França e outros países europeus vêm criticando a política ambiental do governo brasileiro. Desde que tomou posse, Bolsonaro e membros do governo vêm defendendo a exploração de minerais em terras indígenas, contestando dados científicos sobre aumento do desmatamento, propondo a legalização de garimpos, esvaziando órgãos de proteção ambiental e promovendo mudanças unilaterais no Fundo Amazônia, que conta com financiamento europeu.

Bolsonaro também já ameaçou em algumas ocasiões deixar o Acordo de Paris sobre o clima e, mais recentemente, reagiu com desprezo quando a Alemanha e a Noruega suspenderam repasses para programas ambientais diante da nova guinada na política ambiental brasileira.

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