Bloqueio de rebeldes houthis amplia tensão em meio a nova rodada de ataques dos EUA contra o Irã
A guerra no Oriente Médio chegou à décima noite seguida de ataques cruzados entre Estados Unidos e Irã, num ciclo que escapa ao controle diplomático. Forças iranianas atingiram radares e sistemas de defesa instalados por Washington no Golfo, enquanto os EUA alvejaram centros de comando e alvos marítimos usados para hostilizar navios comerciais em Ormuz. No mar Vermelho, os houthis abriram um novo front ao anunciar bloqueio imediato contra embarcações ligadas à Arábia Saudita no estreito de Bab el‑Mandeb.
A guerra no Oriente Médio atravessou mais uma noite de ataques cruzados entre Estados Unidos e Irã, a décima seguida desde a escalada iniciada no fim de fevereiro. As duas forças voltaram a atingir, entre a noite de segunda e a manhã desta terça-feira (21), alvos militares e infraestruturas estratégicas, enquanto o governo norte‑americano promete ampliar a resposta após a morte de três soldados em operações na Jordânia e no Iraque.
A promessa de Donald Trump de "cobrar várias vezes o preço" por cada militar morto elevou o tom num momento em que o protocolo de entendimento entre os dois países assinado há pouco mais de um mês já não produz qualquer efeito prático.
Segundo os Guardiões da Revolução, as forças iranianas miraram postos de radar e sistemas de defesa antiaérea instalados por Washington em pontos sensíveis do Golfo. A mesma estrutura militar informou que dois petroleiros foram interceptados no estreito de Ormuz, ao largo de Omã, por navegarem em uma rota que Teerã não reconhece. Houve incêndio a bordo após explosões, episódio que coincidiu com o alerta emitido pela agência britânica UKMTO sobre um navio atingido por "projétil não identificado" na mesma área.
Do lado norte‑americano, o Comando Central informou que suas forças atacaram centros de comando iranianos e alvos marítimos usados para monitorar ou hostilizar embarcações comerciais que transitam por Ormuz. Explosões foram registradas nas regiões de Sirik, Bandar Abbas, ilha de Qeshm, Chabahar e Konarak, todas áreas consideradas estratégicas para a logística militar iraniana.
Rebeldes houthis bloqueiam rota estratégica
A tensão ganhou novo contorno com o anúncio dos rebeldes houthis, aliados de Teerã no Iêmen, que declararam um bloqueio imediato contra embarcações ligadas à Arábia Saudita no mar Vermelho. O movimento reabre um front que vinha relativamente contido desde a trégua negociada em 2022, ainda vigente apesar de ter expirado formalmente. O alvo central é o estreito de Bab el‑Mandeb, passagem essencial entre o mar Vermelho e o oceano Índico, por onde circula parte relevante das exportações de petróleo saudita.
Riad reagiu afirmando ter adotado medidas adicionais para proteger navios comerciais na região, enquanto ajusta rotas de exportação via o porto de Yanbu, conectado ao oleoduto Leste‑Oeste. O bloqueio anunciado pelos houthis, segundo o porta‑voz militar do grupo, segue o "princípio de olho por olho" e pretende impedir a passagem de embarcações associadas ao governo saudita.
O Departamento de Estado dos EUA, diante da combinação de ataques, bloqueios e ameaças, emitiu novo alerta de segurança a cidadãos norte‑americanos dentro e fora da região. O comunicado afirma que o Irã e grupos apoiados por Teerã podem mirar "interesses dos EUA em qualquer parte do mundo", recomendando que viajantes se preparem para cancelamentos de voos, interrupções no espaço aéreo e mudanças súbitas de itinerário.
Escalada simultânea em Ormuz e Bab el‑Mandeb amplia risco regional
A instabilidade também se projeta sobre Gaza, onde o Hamas anunciou a escolha de Khalil al‑Hayya como novo líder do movimento. Considerado um dirigente pragmático por mediadores internacionais, ele participou de negociações indiretas com Israel para cessar‑fogo e sobreviveu a múltiplas tentativas de assassinato. A mudança ocorre num momento em que Washington e Tel Aviv avaliam como a guerra no Golfo pode influenciar dinâmicas políticas e militares no território palestino.
Quem são os houthis
Os houthis são um movimento político‑militar originado na região de Saada, no norte do Iêmen, formado nos anos 1990 em torno da corrente zaidita do islamismo xiita. O grupo cresceu como força local que contestava marginalização política e desigualdades regionais, até se transformar em ator central da guerra civil iemenita.
Em 2014, os houthis tomaram a capital, Sanaa, e passaram a controlar grande parte do norte do país, o que levou à intervenção militar da coalizão liderada pela Arábia Saudita em 2015. Diversos governos ocidentais classificam o grupo como organização responsável por ataques que causaram mortes de civis e instabilidade regional.
Com AFP
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