Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Milei atrai apoio de argentinos contra projeto petrolífero nas Malvinas

5 set 2026 - 16h19
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O presidente argentino Javier Milei conquistou amplo apoio popular ao anunciar sanções contra empresas que exploram petróleo nas Ilhas Malvinas, território controlado pelo Reino Unido. A nova postura, mais firme que sua linha diplomática anterior, inclui o reforço de uma base naval estratégica e ocorre em meio à sua baixa popularidade e a acenos de Donald Trump sobre rever a neutralidade dos EUA. Apesar de impactar as ações das petrolíferas, Londres reafirmou sua posição como inabalável.

Os argentinos têm apoiado amplamente a forte oposição do presidente Javier ‌Milei à exploração de petróleo nas proximidades das Ilhas Malvinas, ressaltando a duradoura relevância da reivindicação de soberania da Argentina sobre o arquipélago controlado pelos britânicos.

Em um discurso televisionado na quinta-feira, Milei afirmou que apresentaria um projeto de lei ao Congresso para endurecer as sanções contra empresas que realizam perfurações e participam de "outras atividades nas ilhas que afetam nossos recursos naturais".

Anteriormente, Milei defendia a diplomacia em vez do confronto em relação às Malvinas. A Argentina reivindica soberania sobre as Ilhas Malvinas há ⁠quase dois séculos e perdeu uma guerra contra o Reino Unido por causa delas, em 1982. O Reino Unido afirmou na ‌sexta-feira que sua posição era "inabalável".

Como a Argentina não administra as ilhas, não pode impedir diretamente a perfuração no local.

Em Buenos Aires, Mariana Hamicha, uma contadora de 49 anos, disse que a postura mais firme de Milei sinalizava que a Argentina estava ‌defendendo seus interesses.

"Acho que assumir uma postura firme, especialmente no que diz ‌respeito à exploração por empresas estrangeiras e à extração de petróleo, pode ser uma forma de traçar um limite", ⁠disse Hamicha.

Milei também propôs a criação de um conselho de segurança nacional para coordenar as políticas de segurança aeroespacial e marítima, e prometeu mais recursos para uma base naval na província mais ao sul, a Terra do Fogo, um ponto de acesso estratégico às Ilhas Malvinas e à Antártida. O governo não forneceu mais detalhes sobre o projeto de lei.

"O que Milei entendeu é que este é o momento de agir", disse Juan Battaleme, ex-secretário de assuntos internacionais da Defesa no governo de ‌Milei.

EUA PODEM REVISAR POSIÇÃO

O discurso de Milei ocorreu dias depois que o presidente Donald Trump sugeriu que os EUA poderiam reconsiderar ‌sua postura neutra, citando frustração com o ⁠apoio limitado do Reino Unido ⁠às operações militares lideradas pelos EUA no Oriente Médio.

O campo petrolífero Sea Lion, ao norte das Ilhas Malvinas, é operado pela Navitas Petroleum, ⁠detentora da participação majoritária, enquanto a Rockhopper Exploration detém 35%. As duas ‌empresas têm fortes laços com investidores israelenses.

As ‌empresas afirmaram na sexta-feira que possuíam licenças válidas de exploração de petróleo e não acreditavam que os comentários de Milei afetariam o projeto. As ações de ambas as empresas sofreram forte queda na sexta-feira.

Candela Mascetti, pesquisadora da Escola Superior de Guerra em Buenos Aires, disse que as declarações de Milei marcaram uma mudança notável para um presidente ⁠frequentemente criticado por não dar atenção suficiente à questão das Malvinas.

"Não acho que ter uma base naval implique um chamado às armas, mas é uma postura que não tínhamos visto do governo de Milei de forma tão contundente", disse Mascetti.

BAIXO ÍNDICE DE APROVAÇÃO

Veteranos da Guerra das Malvinas e a oposição de esquerda criticaram Milei por elogiar a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher -- cujo governo derrotou a Argentina na guerra pelas ilhas -- como uma ‌das "maiores líderes" do mundo. Ele também disse que a Argentina esperava que os habitantes das ilhas "um dia decidissem votar em nós", um comentário que, segundo os críticos, ecoou a ênfase do Reino Unido no direito dos residentes à autodeterminação.

Milei, que ⁠deve concorrer à reeleição em 2027, tem um baixo índice de aprovação, de 36,8%, de acordo com uma pesquisa realizada em agosto pela Zuban Córdoba e Associados.

"Dados os números das pesquisas de Milei -- e as sugestões de Trump de que ele está reconsiderando a posição dos EUA na disputa --, faz sentido que Milei esteja adotando uma linha mais dura", disse Benjamin Gedan, diretor do programa para a América Latina do Stimson Center, com sede nos EUA.

Até mesmo alguns de seus adversários políticos receberam bem o anúncio de quinta-feira, embora tenham criticado Milei por não ter tomado medidas mais enérgicas antes.

Juan Grabois, um proeminente líder de esquerda, disse no X: "A reviravolta de 180 graus de Milei é bem-vinda; ele passou de um tolo colonizado a reivindicar a postura histórica da Argentina."

Guillermo Carmona, que supervisionou a política argentina em relação à reivindicação das Malvinas durante o governo anterior de centro-esquerda, disse que as medidas de Milei foram um passo positivo, mas insuficiente, dadas as estreitas relações diplomáticas da Argentina com Israel.

"Milei precisa pressionar o governo israelense", disse.

Autoridades israelenses não responderam a um pedido de comentário sobre as sanções propostas por Milei.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra