Ataques israelenses deixam mortos e dezenas de feridos no Líbano
Pelo menos 12 pessoas morreram e cerca de trinta ficaram feridas no Líbano em bombardeios israelenses na noite de sexta‑feira (20). Seis ataques atingiram o vale do Bekaa, no leste, e, algumas horas antes, o campo palestino de Aïn el‑Helweh, situado a 45 km ao sul de Beirute. Entre as vítimas estão um alto oficial do Hezbollah e dois membros do Hamas, além de mulheres e crianças, segundo a imprensa libanesa.
Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute
No total, oito membros do Hezbollah teriam sido mortos, e os ataques com drones, segundo a agência nacional de notícias libanesa, atingiram quatro vilarejos ao norte e no centro do vale do Bekaa. O jornal israelense Maariv afirma que mísseis mar‑terra foram disparados de navios posicionados no Mediterrâneo.
No campo de Aïn el‑Helweh, o maior do Líbano, os bombardeios atingiram um edifício da força conjunta responsável pela segurança local. Segundo a imprensa libanesa, os ataques estariam relacionados ao aumento das ameaças americanas contra o Irã — o que coincide com a chegada iminente do porta‑aviões Gerald Ford ao Mediterrâneo.
Israel busca mostrar aos seus inimigos que é capaz de atacar por ar e por mar, inclusive em regiões remotas, sem a ajuda de aliados. Um oficial do Hezbollah fez um apelo por "resistência" neste sábado. Segundo ele, essa é a única opção para o grupo armado pró‑Irã após a ofensiva israelense.
O Exército de Israel afirmou que os ataques tinham como alvo "centros de comando" do Hezbollah e do Hamas. O Hamas condenou a ofensiva, dizendo que ela matou e feriu civis. O grupo afirma que o local bombardeado pertencia à força responsável pela segurança do campo de refugiados.
Em comunicado, o presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os ataques como uma "agressão flagrante" que prejudica esforços diplomáticos do Líbano e de países aliados para garantir estabilidade na região e encerrar as ofensivas israelenses.
O deputado do Hezbollah Rami Abou Hamdane criticou o governo libanês e disse que o movimento não aceitará que as autoridades minimizem as ofensivas israelenses. Ele instou o governo a suspender as reuniões do comitê de monitoramento do cessar‑fogo — composto por EUA, França, Líbano, Israel e ONU — até que Israel interrompa seus ataques. Uma nova reunião está prevista para a próxima semana.
Reunião no Cairo
Na próxima terça‑feira (24), no Cairo, está marcada uma reunião preparatória para uma conferência internacional de arrecadação de fundos destinada a reforçar as Forças Armadas e as forças de segurança interna do Líbano, prevista para Paris no início de março. O Exército libanês, com poucos recursos, tenta avançar no plano de desarmamento do Hezbollah, enfraquecido após um ano de conflito com Israel em 2024.
Em janeiro, o Exército libanês informou ter concluído a primeira fase do plano, que abrangia a área entre a fronteira israelense e o rio Litani. A segunda fase deve ser colocada em prática ao norte do rio, em um período de quatro meses, renovável, mas o Hezbollah se recusa a entregar as armas nessa região.
Segundo balanço da agência AFP, a partir de dados oficiais libaneses, mais de 370 pessoas foram mortas no Líbano em ataques israelenses desde a entrada em vigor do cessar‑fogo, implementado em novembro de 2024.
Com agências