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Japonesa que queria fazer canoa em forma de vagina é presa

Seguidores da artista Megumi Igarashi denunciam ataque à liberdade de expressão

15 jul 2014
12h29
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A polícia japonesa prendeu em Tóquio uma artista acusada de obscenidade por distribuir dados que permitiam realizar impressões em 3D de sua vagina. A detenção foi classificada por seus seguidores como um ataque à liberdade de expressão.

<p>Imagem de arquivo, feita&nbsp;em 19 de outubro de 2013, mostra a artista japonesa Megumi Igarashi, remando um caiaque projetado para ter a forma de sua pr&oacute;pria vagina, em T&oacute;quio</p>
Imagem de arquivo, feita em 19 de outubro de 2013, mostra a artista japonesa Megumi Igarashi, remando um caiaque projetado para ter a forma de sua própria vagina, em Tóquio
Foto: ROKUDE NASHIKO E MARIE AKATANI / AFP

Megumi Igarashi, 42 anos, que se apresenta como Rokude Nashiko ("menina bastarda"), tentava, desta forma, coletar fundos na internet para financiar a fabricação de uma canoa, modelada com a forma de sua vagina, com uma impressora 3D.

O Japão tem uma indústria pornográfica importante que engloba uma série de gostos.

No entanto, a lei continua proibindo a representação dos genitais, que normalmente aparecem censurados ou disfarçados com pixels em imagens e vídeos.

A artista - que criou outras obras inspiradas nos órgãos genitais - foi detida no sábado por "distribuir informação que poderia criar uma forma obscena com uma impressora 3D", indicou uma porta-voz da polícia à AFP nesta terça-feira.

Antes de sua detenção, Igarashi - que seguia detida nesta terça-feira - conseguiu arrecadar um milhão de ienes (9.800 dólares) através de uma página de financiamento coletivo.

Em troca de doações, enviava dados aos participantes com os quais podiam criar impressões em 3D de seus genitais.

Os seguidores de Igarashi denunciaram uma utilização extremamente ampla da legislação japonesa contra a obscenidade neste caso.

A ativista Minori Kitahara disse que a polícia vasculhou o escritório de Igarashi e apreendeu 20 obras dela.

"O Japão continua sendo uma sociedade na qual se reprime os que tentam expressar a sexualidade feminina, quando a sexualidade masculina é tolerada em excesso", disse.

Caso seja condenada, Igarashi enfrenta uma possível pena de até dois anos de prisão e uma multa de 2,5 milhões de ienes, segundo seu advogado.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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