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Após revés na Justiça dos EUA, príncipe Andrew perde títulos da realeza britânica; entenda escândalo sexual

Filho da rainha Elizabeth é acusado na Justiça americana de ter abusado sexualmente de uma garota quando ela tinha 17 anos.

13 jan 2022 15h57
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Príncipe Andrew em foto de 2019; filho da rainha Elizabeth perdeu títulos militares e da realeza
Príncipe Andrew em foto de 2019; filho da rainha Elizabeth perdeu títulos militares e da realeza
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Acuado por acusações de cunho sexual, o príncipe britânico Andrew, filho da rainha Elizabeth, perdeu nesta quinta-feira (13/1) seus títulos militares e da realeza.

O Palácio de Buckingham informou que Andrew, que é duque de York, deixará de ser chamado de Sua Alteza Real, segundo uma fonte ouvida pela BBC.

E seus papéis cerimoniais como representante da família real serão cedidos a outros membros da realeza britânica.

Isso ocorre um dia depois de a Justiça americana ter anunciado o prosseguimento de um processo civil contra Andrew - que é acusado de ter abusado sexualmente da jovem Virginia Giuffre quando ela tinha 17 anos, em 2001 -, negando um pedido da defesa para que o caso fosse arquivado.

Uma fonte próxima ao príncipe afirmou, porém, que ele "continuará a se defender" das acusações.

Em comunicado, nesta quinta, o Palácio de Buckingham afirmou que, "com a aprovação e a concordância da rainha, as afiliações militares e sustentações reais do Duque de York foram devolvidos à rainha. O duque de York continuará a não realizar nenhum dever público enquanto se defende como cidadão privado".

Sendo assim, ele deixará de usar o título de Sua Alteza Real em qualquer circunstância, diz o comunicado.

O mesmo vale para títulos militares - Andrew era portador de várias condecorações honorárias, como coronel-chefe dos Guardas de Grenadier (um dos regimentos de mais alto escalão no Exército britânico), coronel-chefe do Regimento Irlandês Real e comodoro-chefe de uma frota da Força Aérea Britânica.

Andrew já estava afastado das funções reais desde 2019, devido às repercussões de sua amizade com Jeffrey Epstein, bilionário americano que cometeu suicídio na cadeia após ser acusado de exploração e tráfico sexual de menores.

Virginia Giuffre disse que pediu a Epstein para tirar esta foto dela com o príncipe Andrew e Maxwell; o duque de York disse que não se lembra dela ou do momento da fotografia
Virginia Giuffre disse que pediu a Epstein para tirar esta foto dela com o príncipe Andrew e Maxwell; o duque de York disse que não se lembra dela ou do momento da fotografia
Foto: Virginia Roberts / BBC News Brasil

Andrew disse que seus vínculos com o criminoso sexual condenado se tornaram um "grande problema" para a família real.

Em um comunicado em 2019, ele disse que simpatizava com as vítimas de Epstein e "todo mundo que foi afetado e quer alguma forma de encerramento para o caso".

Em entrevista naquele ano ao programa Newsnight, da BBC, Andrew falou sobre suas relações com o bilionário americano.

Ele disse que conhecer Epstein teve "alguns resultados muito benéficos", num momento em que o príncipe deixava sua carreira na Marinha e iniciava outra como representante especial do comércio e da indústria.

"As pessoas que eu conheci e as oportunidades que tive para aprender, por ele ou por causa dele, foram realmente muito úteis", disse o príncipe Andrew, negando "categoricamente" ter tido qualquer contato sexual com Virginia Giuffre.

Giuffre entrou com um processo civil em Nova York em agosto de 2021 sob a Lei de Vítimas Infantis do Estado americano, que permite que pessoas que passaram por abuso sexual na infância tenham seus casos analisados. Antes dessa lei, muitos deles teriam sido barrados porque muito tempo se passou.

Agora com 38 anos, Giuffre diz que os três supostos casos de abuso do príncipe Andrew continuam a causar-lhe "sofrimento e danos emocionais e psicológicos significativos".

Uma das evidências que Giuffre apresenta é uma fotografia do duque ao seu lado na casa de Ghislaine Maxwell, que aparece em segundo plano na imagem. A autora da acusação diz que Epstein teria tirado a foto. O príncipe afirmou em 2019 ao Newsnight que esteve na casa de Maxwell em Londres anteriormente — mas disse que não se lembrava de ter conhecido Giuffre ou de ter tirado uma foto.

Na decisão desta quarta-feira, um juiz de Nova York, Lewis A. Kaplan, decidiu que o caso pode, sim, ser levado a julgamento.

Isso significa que o caso contra o duque de York, 61 anos, pode ser ouvido ainda neste ano.

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