Ao tentar dinâmica com seguidores, presidente da Argentina recebe xingamentos
Com apenas 17% de aprovação, Alberto Fernández aceitou responder perguntas em sua conta no Instagram em plena campanha eleitoral
O presidente da Argentina, Alberto Fernández resolveu pedir a seus 2,4 milhões de seguidores que lhe fizessem perguntas através de sua conta na rede social Instagram. “Pensei que esta era uma boa maneira de que analisemos juntos estes quatro anos que estão terminando. Por isso, pergunto: que dúvidas vocês têm? Vamos ver se posso responder”, escreveu o presidente domingo, 6.
O resultado saiu contra o esperado, com internautas chamando o chefe de Estado de "medíocre", "mentiroso" e "ridículo", entre outros adjetivos, e acusando Fernández de apagar comentários negativos sobre seu governo.
Nesta segunda, na conta do presidente argentino predominavam comentários elogiosos sobre seu governo, com seguidores se referindo a Fernández “um grande presidente” e “o presidente que soube administrar a quarentena e ajudar milhares de famílias argentinas”, durante a pandemia.
No próximo domingo, 13, acontecerão as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso), serão escolhidos os candidatos que disputarão o primeiro turno das eleições presidenciais em 22 de outubro. Fernández, que tem limitada participação na campanha do pré-candidato da Casa Rosada, o ministro da Economia, Sergio Massa, se expôs nas redes como nunca fez.
O chefe de Estado selecionou perguntas de seus seguidores, entre elas como anda a vida de seu famoso cachorro, Dylan. “Aqui está Dylan, lindo como sempre, meu melhor amigo, um grande companheiro, sempre perto”, respondeu o chefe de Estado, junto ao cão presidencial, de raça collie e com sua própria conta no Instagram.
Outros temas respondidos foram a política de Estado de defesa da recuperação das Ilhas Malvinas e as propostas dos candidatos da oposição na eleição presidencial.
Para o presidente, opositores estão propondo o que ele fez em seu governo, apesar da pandemia, da herança deixada pelo governo de Mauricio Macri (2015-2019), e da pior seca sofrida pelo país nos últimos cem anos.
“Nos dizem que vão promover a produção, mas nós somos os que mais criamos pequenas e médias empresas. Já eles, fecharam 23 mil e tiveram 46 meses consecutivos de queda do emprego com carteira assinada”, comentou Fernández em um vídeo.
Alguns seguidores do presidente afirmaram que nem seus filhos acreditam nele; outros perguntaram se o chefe de Estado não tinha vergonha de dizer o que estava dizendo; e outros afirmaram que se seu governo foi tão bom como Fernández assegura, por que o presidente não concorre à reeleição.
Houve, ainda, perguntas sobre por que o presidente “se deixou controlar” pela vice-presidente, Cristina Kirchner. Mas nem todas as perguntas foram respondidas.
O presidente argentino caminha para encerrar o mandado com o país com mais de 100% de inflação ao ano; mais de cinquenta tipos de dólar paralelo operando no mercado cambial; com crescimento zero ou negativo em 2023; e uma escassez de divisas dramática, que obrigou o governo a barrar importações de forma drástica, complicando ainda mais a vida dos pequenos, médios e grandes empresários. Com este pano de fundo, poucos entendem por que Fernández decidiu convocar a população para lhe fazer perguntas, e acabou consolidando a imagem do que muitos já chamam de “presidente meme”.
Com 17% de aprovação à sua gestão como presidente da Argentina, e 81% de desaprovação, segundo recente pesquisa da Universidade de San Andrés, Fernández ostenta um dos níveis de aprovação mais baixos desde a recuperação da democracia, em 1983, e costuma ser comparado ao governo de Fernando de la Rúa, que renunciou na metade de seu mandato, em dezembro de 2001.