Um dos rostos mais famosos da TV nos EUA, Jimmy Kimmel é suspenso após fala sobre Charlie Kirk e ultradireita
O comediante e apresentador Jimmy Kimmel teve seu programa retirado do ar pela emissora ABC após críticas à forma como setores conservadores reagiram ao assassinato do influenciador pró-Trump Charlie Kirk. A suspensão, anunciada na quarta-feira (17), não tem prazo para reversão e ocorre em meio a uma escalada de tensões entre o governo Trump e a imprensa, reacendendo o debate sobre censura política e liberdade de expressão nos EUA.
O comediante e apresentador Jimmy Kimmel teve seu programa retirado do ar pela emissora ABC após críticas à forma como setores conservadores reagiram ao assassinato do influenciador pró-Trump Charlie Kirk. A suspensão, anunciada na quarta-feira (17), não tem prazo para reversão e ocorre em meio a uma escalada de tensões entre o governo Trump e a imprensa, reacendendo o debate sobre censura política e liberdade de expressão nos EUA.
Kimmel, que apresenta o Jimmy Kimmel Live cinco noites por semana e já foi mestre de cerimônias do Oscar em quatro ocasiões, comentou em seu monólogo de segunda-feira o assassinato de Kirk, baleado no pescoço durante um discurso na Utah Valley University.
O caso acentuou a polarização política nos Estados Unidos. O suspeito, Tyler Robinson, de 22 anos, foi preso após uma operação policial de cerca de 30 horas. Robinson cresceu em uma família republicana, passou a criticar a retórica de Kirk e utilizava munições com inscrições antifascistas. Parte da extrema direita norte-americana tenta agora caracterizá-lo como militante da esquerda radical.
No programa, Kimmel ironizou que o país havia "atingido um novo nível no fim de semana, com a turma do MAGA tentando desesperadamente apresentar o assassino de Charlie Kirk como alguém fora do seu espectro político, e ainda tirar proveito disso".
A sigla MAGA corresponde ao slogan de Donald Trump: "Make America Great Again". Durante o programa, o apresentador comparou a reação de Trump à morte do influenciador à perda de um "peixinho dourado", afirmando que não era assim que um adulto lamentava a morte de alguém que chamava de "amigo". As declarações de Kimmel provocaram indignação entre os apoiadores do presidente.
Trump pediu que outros humoristas sejam suspensos
O presidente norte-americano, de volta à Casa Branca desde janeiro, celebrou a suspensão do programa como "uma excelente notícia para os Estados Unidos" em sua rede Truth Social. Trump pediu ainda que outros humoristas, como Jimmy Fallon e Seth Meyers, também fossem retirados do ar. Horas depois do crime, ele havia responsabilizado a "esquerda radical" pelo ataque, alimentando receios de uma escalada de tensões contra a oposição.
A decisão da ABC foi acompanhada de pressões políticas e empresariais. Brendan Carr, chefe da Federal Communications Commission (FCC) e aliado de Trump, chamou as declarações de Kimmel de "verdadeiramente doentias" e ameaçou revisar licenças de emissoras que continuassem a transmitir o programa.
O grupo Nexstar, que controla diversas afiliadas da ABC, anunciou que deixaria de exibir o Jimmy Kimmel Live. O executivo Andrew Alford justificou que "os comentários do apresentador foram ofensivos e insensíveis num momento crítico" e que mantê-lo no ar "não atendia ao interesse público". Carr agradeceu à Nexstar e reforçou que empresas licenciadas pela FCC devem servir ao interesse da população. Kimmel ainda não se manifestou publicamente, mas a suspensão provocou reações de figuras democratas.
"Coordenado e perigoso"
O governador da Califórnia e uma das principais lideranças democratas da atualidade, Gavin Newsom, acusou os republicanos de não respeitarem a liberdade de expressão, afirmando que "controlar plataformas, demitir comentaristas, cancelar programas... tudo isso é coordenado e perigoso".
A American Civil Liberties Union (ACLU), uma das principais entidades de defesa dos direitos civis nos EUA, também condenou a suspensão, alertando para os riscos à Primeira Emenda da Constituição norte-americana — que garante a liberdade de expressão.
O episódio reacendeu o debate sobre censura política na mídia. Em julho, a CBS informou ao apresentador Stephen Colbert que seu programa Late Show será cancelado em 2026.
Poucos dias antes, Colbert havia criticado a emissora por pagar US$ 16 milhões a Donald Trump para encerrar um processo sobre suposta manipulação de imagens, chamando o acordo de "suborno" para facilitar a fusão da Paramount com a produtora Skydance.
Desde que reassumiu a presidência, Trump vem endurecendo sua relação com a imprensa. Além de restringir o acesso de jornalistas à Casa Branca, ele também move ações judiciais bilionárias contra veículos críticos à sua ideologia. Na terça-feira, ele anunciou um processo contra o jornal The New York Times, no qual pede US$ 15 bilhões por difamação.
(Com agências)