Trump diz que Hamas busca cessar-fogo; Netanyahu insiste na retirada dos palestinos de Gaza
Nenhum avanço significativo foi alcançado em relação à situação em Gaza durante o jantar realizado nesta segunda-feira (7), na Casa Branca, entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano, Donald Trump. O encontro teve como principal objetivo reforçar a sintonia entre os dois líderes, reafirmar a confiança mútua na busca por um acordo para Gaza e revisar temas centrais da agenda do Oriente Médio.
Nenhum avanço significativo foi alcançado em relação à situação em Gaza durante o jantar realizado nesta segunda-feira (7), na Casa Branca, entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano, Donald Trump. O encontro teve como principal objetivo reforçar a sintonia entre os dois líderes, reafirmar a confiança mútua na busca por um acordo para Gaza e revisar temas centrais da agenda do Oriente Médio.
Pierre Olivier, enviado especial da RFI a Washington
Para agradar Trump, Benjamin Netanyahu não chegou à mesa de mãos vazias. Durante o jantar, ele anunciou que havia indicado o presidente americano para o próximo Prêmio Nobel da Paz.
"Senhor presidente, aqui está a carta que enviei ao Comitê do Nobel. Ela o indica para o Prêmio Nobel da Paz. É muito merecido!", declarou.
"Ah! Muito obrigado, eu não esperava por isso. Vindo de você, em particular, isso significa muito. Obrigado, Bibi", respondeu Trump.
Benjamin Netanyahu reiterou sua oposição à criação de um Estado palestino, ao mesmo tempo em que reafirmou seu compromisso com a paz na região.
"Acredito que os palestinos devem ter pleno poder para se autogovernar, mas sem representar uma ameaça para nós. Isso significa que certos poderes, como a segurança, permanecerão sempre em nossas mãos", disse o premiê israelense. "É assim, e ninguém em Israel aceitará outra coisa, porque não somos suicidas. Queremos viver. E acredito que podemos alcançar a paz com todo o Oriente Médio, graças à liderança do presidente Trump. Trabalhando juntos, acredito que podemos estabelecer uma paz verdadeiramente ampla, que incluirá todos os nossos vizinhos", insistiu.
Diante de um Donald Trump impressionado, Netanyahu retomou a proposta feita pelo presidente dos EUA, há alguns meses, para reassentar - em outros territórios e países - os palestinos do enclave que assim o desejarem.
Considerando a proposta uma "visão brilhante", o primeiro-ministro enfatizou que estava trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos para encontrar países dispostos a receber os palestinos.
"Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar. Mas se quiserem sair, devem poder sair. Não deveria ser uma prisão. Estamos trabalhando arduamente com os Estados Unidos para identificar países que realmente queiram acolher e oferecer um futuro melhor aos palestinos", disse Netanyahu.
Donald Trump concluiu: "Isso vai acabar bem."
O presidente americano também insistiu que o Hamas queria um cessar-fogo - fato, aparentemente, ignorado por Netanyahu. "Eles querem uma reunião e querem este cessar-fogo", garantiu Trump aos repórteres na Casa Branca, no início do jantar. "Não acho que haja um bloqueio. Acho que as coisas estão caminhando muito bem", respondeu, quando questionado sobre o que estava impedindo um acordo de paz.
O enviado dos EUA para a região, Steve Witkoff, deve viajar para Doha ainda nesta semana, onde as negociações estão ocorrendo, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
No domingo (6), Trump disse que havia uma "boa chance" de que os dois lados chegassem a um acordo "nesta semana".
Irã e Síria no centro das discussões
Trump e Netanyahu também discutiram a guerra de Israel contra o Irã e os ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas, ocorridos há duas semanas. "Uma vitória incrível, graças à parceria entre o presidente Trump e eu", disse Netanyahu.
Por fim, o primeiro-ministro israelense também discutiu a situação na Síria. Ele afirmou que, com a queda de Bashar al-Assad, uma nova relação com Damasco era possível - ainda mais agora que "o Hezbollah está de joelhos e o Irã fora de cena". "Uma perspectiva de estabilidade e, em última análise, de paz é possível", anunciou Netanyahu, enquanto Trump o observava com satisfação.