Trump diz que eleições de meio de mandato nos EUA são as mais importantes 'de nossas vidas'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu nesta segunda-feira (2) o espelho d'água do Memorial Lincoln, em Washington, como cenário para um dos últimos eventos de campanha antes das eleições de meio de mandato, nesta terça-feira (3). O local, cuja renovação conturbada se tornou um símbolo das dificuldades e controvérsias que marcaram seu segundo mandato, serviu de palco para um apelo aos eleitores republicanos em meio às previsões de avanço dos democratas nas urnas.
Às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, Donald Trump classificou a votação como a mais importante da atualidade, enquanto pesquisas projetam vitória dos democratas na Câmara e no Senado. Com mais de 53 milhões de votos antecipados, o pleito definirá o controle do Congresso e 36 governos estaduais. Diante da ameaça de perder a maioria legislativa e enfrentar novas investigações contra seu governo, o presidente republicano já prometeu vetar iniciativas da oposição e perdoar aliados.
"Este é o último dia antes das eleições de meio de mandato, as mais importantes, acredito, de nossas vidas", disse Trump, 26 minutos após o início de uma fala que se concentrou principalmente em seu projeto de renovação de monumentos na capital norte-americana.
No espelho d'água do Memorial Lincoln, ele exibiu fotos para destacar as obras de renovação promovidas por seu governo. "Este projeto deveria ser um projeto capaz de unir todos os americanos", afirmou.
Mais cedo, em uma entrevista ao podcast do jornal New York Post, Trump mencionou a possibilidade de conceder indultos a aliados e deu a entender que vetará eventuais iniciativas do Congresso caso os democratas tirem o controle legislativo dos republicanos.
Questionado se concederia perdão a "todos os que trabalharam" para ele, o republicano assegurou: "Nem sequer pensaria duas vezes (...) Eu faria isso. Fiz isso com os do 6 de janeiro", acrescentou, referindo-se aos cerca de 1.500 indultos concedidos no primeiro dia de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, a condenados ou acusados pela invasão do Capitólio em 2021.
Fim da campanha
Democratas e republicanos finalizam nesta segunda-feira a campanha com os últimos comícios antes das decisivas eleições de meio de mandato, que podem provocar uma grande mudança no Congresso.
Os americanos estão convocados a renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e um terço (35 dos 100 assentos) do Senado. Além disso, devem escolher 36 governos estaduais.
Em sua última projeção antes do dia da eleição, a empresa de previsões Decision Desk HQ estimava que o Senado passaria a uma maioria de 52-48 a favor dos democratas e que o partido opositor obteria uma confortável vantagem de 241-194 na Câmara dos Representantes.
Em caso de vitória em ambas as casas, a oposição pretende abrir diversas investigações contra o presidente Trump, seu governo e sua família, além de tentar bloquear suas nomeações, assim como o financiamento da guerra no Irã.
A ala socialista dos democratas, que pode emplacar um número recorde de representantes e senadores, quer inclusive abrir um debate sobre o futuro da polícia migratória (ICE).
Já os republicanos esperam manter o controle de uma das duas Casas e obrigar os democratas na Câmara dos Representantes a negociar as verbas orçamentárias.
53 milhões já votaram
A votação antecipada já bateu um recorde: 53 milhões de pessoas já depositaram seus votos em todo o país.
Para retomar o controle do Senado, os democratas precisam virar quatro cadeiras. As pesquisas indicam uma vantagem apertada dos democratas em cinco estados, alguns tradicionalmente conservadores, como Texas, Carolina do Norte e Kansas.
O presidente conta com uma enorme popularidade entre sua base, mas em um país polarizado como os Estados Unidos são os eleitores independentes que fazem a balança pender para um lado ou outro.
"Os democratas têm uma leve vantagem sobre os republicanos em termos de filiação partidária entre os adultos dos Estados Unidos: 47% se identificam com o Partido Democrata ou tendem a apoiá-lo, e 43% se identificam com o Partido Republicano ou tendem a apoiá-lo", afirmou o Pew Research Center.
Mas 10% do eleitorado não se comprometeu com nenhum partido e não expressou opinião, a maior proporção de eleitores indecisos em quase uma década.
Fim da carreira política de Trump?
Sete em cada 10 americanos têm uma avaliação ruim sobre Donald Trump, de sua incapacidade de controlar a inflação e da guerra que declarou ao Irã e que se prolonga inexoravelmente.
Uma derrota estrondosa poderia significar o início do declínio político de Donald Trump. O republicano foi alvo de duas tentativas de impeachment por parte dos democratas durante seu primeiro mandato.
Em tom desafiador, o republicano advertiu que pode virar o "Sr. Veto" para barrar as iniciativas legislativas da oposição.
Com AFP
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