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Argentina: veja 4 fatores que podem definir a eleição

Analista indica que entre os que vão votar em Daniel Scioli, a maioria é fiel eleitora de Cristina Kirchner

24 out 2015
14h23
atualizado às 17h28
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A eleição presidencial argentina, que ocorre no próximo domingo (25), pode ser decidida por quatro fatores que incluem a popularidade da presidente Cristina Kirchner e o estilo dos candidatos. Pesa ainda o voto dos indecisos.

A imagem positiva de Cristina, em torno dos 50% de popularidade, é decisiva para Scioli
A imagem positiva de Cristina, em torno dos 50% de popularidade, é decisiva para Scioli
Foto: Getty Images

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Pesquisas de opinião indicam que o candidato governista Daniel Scioli, da Frente para a Vitória, teria o máximo de 38% das intenções de voto, segundo a consultoria Management & Fit, e cerca de 40%, de acordo com a Rouvier e Associados.

O opositor Maurício Macri, da aliança Cambiemos, (Mudemos), teria em torno de 25% e Sergio Massa, da UNA, cerca 20%.

De acordo com a legislação eleitoral argentina, Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa ou receber 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou mais de 45% da votação.

Mas com um total de indecisos estimado em 30%, existe a expectativa de um segundo turno em novembro.

Os analistas Mariel Fornoni, da consultoria Managment &FIT, Ricardo Rouvier, da consultoria Rouvier e Associados e Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Mayoría traçaram um quadro mostrando as chances dos candidatos.

O efeito Cristina Kirchner
A imagem positiva de Cristina, em torno dos 50% de popularidade, é decisiva para Scioli.

O analista disse que a maioria dos que votarão nele será pela presidente e não pelo candidato. “Dos cerca de 40% dos votos que Scioli poderia receber, 27% são de eleitores fiéis a ela e somente 13% votam realmente nele”, disse Rouvier. Para a analista Mariel Fornoni, o voto em Scioli é o mais “fidelizado”, apesar de ele ter dificuldade para atrair outros votantes que desconfiam se quem governaria seria Scioli ou Cristina.

Medidas sociais da era Cristina
A candidatura de Daniel Scioli seria a principal beneficiada. Estima-se que cerca de 17 milhões dos 40 milhões de argentinos recebam algum tipo de ajuda do estado. Entre elas estão medidas equivalentes ao bolsa família no Brasil. Macri prometeu manter os planos sociais criados no governo de Cristina, mas existiria maior convicção de que Scioli, e não ele, poderia cumpri-la.

Massa, por sua vez, também defendeu a manutenção dos planos de inclusão social, mas com uma revisão desta distribuição, o que pode ter gerado incerteza entre os que hoje são beneficiados.

Herança econômica
A Argentina tem problemas nessa área. Desde a inflação à falta de estatísticas oficiais sobre a pobreza, por exemplo.

Daniel Scioli, neste caso, seria o principal prejudicado, pois é o candidato governista. Ele prometeu resolver os problemas “gradualmente”.

Já Macri defende um ataque rápido, mas há dúvidas sobre como colocaria as soluções em pratica. Massa conta com o apoio de antigos ministros da Economia.

Estilo dos candidatos
Scioli é definido pelos analistas como o ‘teflon’ da campanha. Nada de negativo “gruda” nele.

Seu discurso, porém, é apontado como muitas vezes “vazio”. Quando lhe fazem uma pergunta espinhosa, responde por exemplo: “As pessoas me conhecem” ou “tenho fé e esperança”.

Ao mesmo tempo afirma que Cristina deixa “bases sólidas na economia e no social”. Promete dialogar com os diferentes setores e opositores, caso eleito, e seu lema é “mudança com continuidade”.

Macri é visto como “bom gestor” por conta dos dois mandatos como prefeito de Buenos Aires. Mas seus opositores costumam dizer que ele carece de carisma político. Ele também é filho de um dos homens mais ricos da Argentina, o empreiteiro Francisco Macri, o que desagradaria alguns setores sociais.

Também é criticado por não ter feito mais alianças com opositores para a disputa eleitoral.

Massa foi chefe de gabinete de Cristina Kirchner e agora é um de seus principais críticos. Com propostas como a redução da maioridade penal e o apoio das Forças Armadas no combate ao tráfico de drogas, conquistou eleitores, mas também rejeição, segundo os analistas.

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