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Paramilitares colombianos detidos na Venezuela teriam Maduro como alvo

Ministro do Interior afirmou que as autoridades não descartam que os grupos poderiam estar planejando um atentado contra o presidente Nicolás Maduro

10 jun 2013 15h52
| atualizado às 16h32
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O governo venezuelano informou nesta segunda-feira a detenção de nove pessoas supostamente vinculadas com dois grupos paramilitares colombianos que realizariam "uma missão em Caracas", que, as autoridades não descartam, poderia ter sido um atentado contra o presidente Nicolás Maduro.

"Tudo isto pode indubitavelmente ser parte de um plano que está sendo orquestrado de lá (na Colômbia) para atentar contra a vida de nosso presidente e contra a estabilidade do governo bolivariano", indicou o ministro do Interior, Miguel Rodríguez Torres, em uma declaração à imprensa.

O ministro afirmou que o primeiro grupo está vinculado com o bando de origem paramilitar "Los Rastrojos" e o segundo responderia ao também colombiano "Chepe Barrera", enquanto um terceiro grupo poderia encontrar-se na capital do país para cumprir o objetivo, que os detidos disseram desconhecer qual seria.

Torres detalhou que o primeiro grupo foi capturado em Táchira, na fronteira com a Colômbia, e a este pertenciam Elisa Cruz, Pedro Araújo, Arlington Miranda, José Israel Echávez, Javier Rodríguez e Giovanni Salas, todos colombianos. Com eles foram apreendidos um fuzil AK47, duas pistolas, um revólver, uma escopeta, duas granadas e munição.

O segundo, capturado em Guanare (oeste do país) e integrado por Luis Enrique Gómez López, José Guerrero Angulo e Manuel Guillermo Muñoz Espino, portava um fuzil bushmaster, cartuchos, uma pistola e uniformes militares com toda a simbologia do exército venezuelano.

Também foi encontrada "uma caixa-preta de aviação utilizada para o sistema de gravação de cabine" e "outra caixa com equipamentos de mecânica" que as autoridades estão investigando para determinar de que avião se trata, acrescentou Rodríguez. "Existem vinculações entre o primeiro grupo e o segundo e por isso ambos tinham que completar uma missão na cidade de Caracas", disse.

"As primeiras conversas com estes detidos apontam que vieram a Caracas cumprir uma missão que desconhecem e unimos a isto a presença de uma caixa-preta que poderia ser, pensando como pensam os terroristas, uma caixa utilizada para um falso positivo de um acidente aéreo", explicou.

Torres lembrou que ontem o ex-vice-presidente e jornalista José Vicente Rangel denunciou a suposta compra de 18 aviões nos Estados Unidos por parte de "venezuelanos de oposição" para serem levados a uma base americana na Colômbia. "Nos chama poderosamente a atenção e nos cria a suspeita de que conexões políticas possam ter estes senhores com elementos da extrema direita venezuelana", questionou o ministro.

"Não nos estranharia que viessem dentro desses planos que denunciamos constantemente de querer atentar contra a vida do presidente da República ou qualquer outro dignatário do Estado venezuelano", completou.

O governo venezuelano reiterou nos últimos meses denúncias de supostas tentativas de atentado contra Maduro e outras figuras do processo bolivariano, e informou de várias detenções.

Torres indicou que embora "algumas pessoas vão tentar encarar isto em tom de brincadeira", na Venezuela estão acostumados ver, em 14 anos de governo do falecido Hugo Chávez, "coisas que podem ultrapassar a imaginação de qualquer um".

Nesse sentido, mencionou os atentados contra os consulados da Espanha e Colômbia em 2003, a entrada de mais de uma centena de paramilitares no país em 2004 e outros episódios.

"Se foram capazes de tudo isto não nos estranha que este plano tenha uma finalidade política desestabilizadora", salientou.

Torres destacou ainda que os próprios detidos disseram que "deve haver outro grupo em Caracas" e, neste momento, o serviço de inteligência "segue rastreando" estas pessoas.

EFE   
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