Imagem de IA em que Trump se retrata como Jesus choca cristãos e conservadores nos EUA
O presidente americano, Donald Trump, mantém sua posição e afirma que não pedirá desculpas ao papa Leão XIV depois de tê‑lo qualificado como "fraco diante dos crimes" e "terrível em política externa". Nos últimos dias, o líder republicano multiplicou as críticas ao sumo pontífice, que se recusa a perpetuar as discussões. No centro da polêmica, está uma imagem gerada por IA publicada por Trump na rede Truth Social em que aparece como Jesus Cristo.
Com informações de Gwendal Lavina, correspondente da RFI em Nova York, e agências
A imagem foi apagada algumas horas após sua publicação, o que não foi suficiente para evitar uma enxurrada de críticas ao presidente americano.
Na ilustração, Trump é representado com um traje branco e um manto vermelho sobre os ombros, em vestes que remetem às representações tradicionais de Jesus Cristo. O presidente coloca a mão sobre a cabeça de um homem deitado, em um gesto que sugere cura ou amparo. Ao redor, aparecem duas mulheres e dois homens — uma delas em posição de oração. A cena é composta por elementos simbólicos como a bandeira dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade, águias e raios de luz típicos de iconografia religiosa.
Trump reconheceu ser o autor da publicação, mas recusou a comparação com Jesus Cristo. "Não era uma representação. Era eu", reagiu o presidente americano nesta segunda‑feira. "É para ser eu como médico, cuidando das pessoas. E eu cuido das pessoas. Cuido muito delas", acrescentou, evocando profissionais da Cruz Vermelha.
Mas a explicação não conseguiu conter a revolta de fiéis. A indignação alcançou até mesmo setores do movimento ultraconservador americano Maga e o Partido Republicano.
O deputado conservador Don Bacon, do estado do Nebraska, chamou a postagem de "tolice" e alertou que dividir o próprio partido é "autodestrutivo". Segundo ele, republicanos interpretaram a imagem tanto como provocação quanto como algo "anticristão".
A ativista conservadora Riley Gaines, alinhada ao governo, afirmou não entender por que o presidente americano publicaria algo assim. Para ela, "um pouco de humildade faria bem a Trump", acrescentando que "Deus não deve ser zombado".
A influenciadora cristã Megan Basham, ligada ao movimento Maga, classificou a imagem como "ultrajante blasfêmia". Ela sugeriu que Trump a removesse imediatamente e pedisse perdão.
A publicação também suscitou reações fora dos Estados Unidos. Para o italiano Massimo Faggioli, especialista do Vaticano, Trump teve a intenção de atingir o sumo pontífice. "Nem mesmo Hitler ou Mussolini jamais atacaram o papa de maneira tão direta e pública", declarou.
O ex‑primeiro‑ministro italiano Matteo Renzi considerou a imagem gerada por IA "insana". Como católico, o político a viu como uma "blasfêmia".
Cristãos americanos expressam irritação
Entre os fiéis americanos, as reações são unânimes. Em entrevista à RFI, católicos classificaram a publicação de Trump de ofensiva e descabida.
"O papa é guiado pelos Evangelhos, não pela política. Embora Donald Trump diga estar próximo de nossos valores, ele não é cristão de forma alguma, considerando a maneira como conduz tudo isso", diz Vicenzo, na saída da igreja Santa Teresa de Ávila, no bairro do Brooklyn, em Nova York.
Georges mora bem em frente à igreja e vai à missa todos os domingos. Sua opinião após o embate de Trump com o papa é muito mais dura. "Ele é o próprio diabo. O que mais dizer? Cabe aos políticos no Congresso responder a isso. É vergonhoso que, com tudo o que ele diz, tenha conseguido voltar ao poder", avalia.
Betty apoia Leão XIV e pede mais cautela a Donald Trump. "Isso é insolência da parte dele; a religião deve ser respeitada. É claro que o papa tem o direito de apelar aos governantes que matam crianças, mulheres e homens para que respeitem a humanidade", afirma.
A fiel católica diz estar disposta a perdoar o presidente americano. No entanto, não acredita que ele é humilde o suficiente para pedir perdão.