Após década de presidentes efêmeros, Peru vai às urnas em eleição fragmentada e marcada pela violência
Depois de uma década de presidências de curta duração, os peruanos elegem neste domingo (12) seu chefe de Estado entre um número recorde de 35 candidatos, em um contexto de instabilidade política crônica e escalada da criminalidade. Mais de 27,3 milhões de eleitores são chamados às urnas.
Os 35 nomes em uma mesma cédula são o reflexo de uma eleição tão confusa quanto reveladora da profunda crise política do país. Em uma década, oito chefes de Estado se sucederam, e agora os eleitores precisam escolher entre um número inédito de candidatos para substituir o presidente interino José María Balcázar.
Pela primeira vez em 30 anos, o combate ao crime organizado se impôs como tema central da campanha. A escalada da insegurança, impulsionada por grupos criminosos estrangeiros que competem com os locais, é hoje a principal preocupação dos peruanos. A taxa de homicídios explodiu e as denúncias de extorsão dispararam.
Nesse contexto, quase todos os candidatos fizeram da luta contra a criminalidade sua prioridade, sem, no entanto, conseguir se diferenciar.
Discursos de linha dura
No Peru, onde o voto é obrigatório, os discursos de linha dura têm inclinado as preferências para candidaturas de direita, como a de Keiko Fujimori. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, prometeu expulsão de imigrantes e aproximação com Trump caso vença as eleições. "Meu papel, caso eu seja eleita presidente, será motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente" na economia peruana, assinalou em um comitê de campanha em Lima.
Keiko, que disputa a presidência pela quarta vez, aparece como favorita. Disputam com ela uma vaga no segundo turno o centrista Ricardo Belmont, o humorista de direita Carlos Álvarez e o ultraconservador Rafael López Aliaga.
Muitos eleitores chegam desorientados ao primeiro turno dessa eleição inédita, na qual também deixam para trás um Congresso unicameral para escolher, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores.
O país vive um clima de desconfiança generalizada em relação à classe política, após anos marcados por destituições e escândalos de corrupção em série. De acordo com a pesquisa regional Latinobarómetro, mais de 90% dos peruanos têm "pouca" ou "nenhuma confiança" em seu governo e em seu Parlamento, os índices mais altos da América Latina.
No entanto, a economia nacional se mantém como uma das mais estáveis da região, com a inflação mais baixa da América Latina.
(Com agências)