Trump rejeita pedir desculpas ao papa; Leão XIV diz que não tem medo do governo americano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda‑feira (13) que não pretende pedir desculpas ao papa Leão XIV, a quem chamou de "muito fraco", um dia após lançar um ataque contundente contra o pontífice por sua oposição à guerra no Oriente Médio. Mais cedo, o papa havia declarado que não tinha "medo" do governo americano.
"O papa Leão fez declarações falsas. Ele se opôs veementemente ao que estou fazendo em relação ao Irã, e não podemos aceitar um Irã com armas nucleares", reiterou o presidente americano na Casa Branca, ao se referir aos apelos do pontífice pelo fim da violência no conflito no Oriente Médio.
Trump também afirmou que "não era um grande fã" do papa, acrescentando que Leão XIV "demonstra grande fraqueza em relação ao crime e a outras questões". Posteriormente, em sua rede social, escreveu que o papa é "um desastre em política externa".
Em visita à Argélia, Leão XIV declarou nesta segunda‑feira que não sente "medo" do governo americano e que considera um "dever moral" se manifestar em favor da paz, após as críticas do presidente dos Estados Unidos.
No avião que o levou de Roma a Argel — primeira parada de uma viagem de 11 dias por quatro países africanos —, o papa, de nacionalidade americana, disse a jornalistas que o acompanhavam que não tem "nenhuma intenção de entrar em debate" com Donald Trump.
"Não tenho medo, nem do governo Trump, nem de falar alto e claro sobre a mensagem do Evangelho", afirmou. "Não sou político", acrescentou. "A mensagem é sempre a mesma: promover a paz."
"Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar muito claramente contra a guerra", continuou, enfatizando a importância de retomar o caminho da diplomacia.
Meloni se manifesta
Em resposta às críticas de Trump, bispos italianos e americanos manifestaram apoio ao chefe da Igreja Católica. A primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni — apesar de sua proximidade com o presidente americano —, desejou ao papa uma viagem bem‑sucedida, em um gesto interpretado como sinal de respaldo.
Em declaração divulgada nesta segunda‑feira, Meloni classificou como "inaceitáveis" as declarações de Trump dirigidas ao papa, após Leão XIV criticar a guerra no Oriente Médio.
"O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a premiê italiana.
Trata‑se de uma das raras críticas públicas feitas por Meloni ao presidente dos Estados Unidos. A líder ultraconservadora tem buscado desempenhar um papel de mediadora entre Trump e os líderes europeus e já havia divulgado, anteriormente, uma nota de apoio aos esforços do papa em favor da paz e da reconciliação durante sua viagem à África.
O presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, também enviou uma mensagem ao pontífice por meio do Facebook, condenando "o insulto a Vossa Excelência em nome da grande nação iraniana".
Com AFP