Honduras coloca 80% de seu território em estado de alerta devido ao agravamento da seca
O governo de Honduras colocou cerca de 80% do país em estado de alerta devido à escassez de água, que ameaça o abastecimento de várias comunidades, além de lavouras e pecuária. A previsão é que a situação se agrave ainda mais nos próximos meses em decorrência do fenômeno climático El Niño.
Com 80% do território em alerta devido a uma grave seca, Honduras enfrenta forte escassez hídrica, perda de lavouras e morte de gado. Para mitigar os impactos na população e conter a insegurança alimentar, a ONU liberou fundos milionários de assistência aos municípios mais críticos. A crise de desabastecimento já atinge diversas regiões, incluindo a capital, e tende a se agravar até o final do ano com a intensificação do fenômeno El Niño na América Central.
Marie Griffon, correspondente da RFI em Tegucigalpa
A seca continua a se espalhar pela América Central. Para lidar com a situação em Honduras, o escritório da ONU no país liberou dezenas de milhões de dólares para diferentes cidades, incluindo a capital Tegucigalpa, informaram os jornais locais.
"Nas Nações Unidas, estamos trabalhando em coordenação com os governos municipais. Lançamos um pacote de ajuda no valor de US$ 62 milhões para assistir 33 municípios, sendo que 11 deles constam na lista dos 75 que estão atualmente em estado de emergência", explicou o representante da ONU no país, Alejandro Álvarez, durante o Congresso de Segurança Alimentar no parlamento hondurenho.
Embora o pico seja esperado entre outubro e dezembro, a situação já é extremamente preocupante no "Corredor Seco" - uma região que se estende do centro ao sul de Honduras - , onde a falta de chuvas ameaça diretamente a agricultura e a pecuária. As plantações estão sofrendo, e o gado está morrendo de fome e de sede.
"Já perdi seis vacas. Pode ser catastrófico. Tememos que isso continue e que nossos animais morram por falta de comida e água", diz Maria Ponce, uma agricultora dessa zona árida.
A escassez pode ser agravada pelo El Niño. Esse fenômeno climático, que ocorre em intervalos de dois a sete anos, caracteriza-se por temperaturas da água acima da média na porção oriental do Pacífico Sul. Desde que retornou este ano, em maio, as temperaturas da superfície do mar continuaram a subir, gerando consequências graves.
ONU dona más de 80 millones de dólares para combatir la sequía en Hondurashttps://t.co/8JMj1TEXsT pic.twitter.com/hphKumm23M
— Congreso Nacional de Honduras (@hn_congreso) August 19, 2026
"Mais preocupados a cada dia"
A crise também afeta a população em geral, particularmente em vários povoados nos arredores de Tegucigalpa. Alguns moradores enfrentam interrupções no abastecimento de água que podem durar dias.
"A água que vem das nascentes está quase acabando. Resta muito pouco, e ficamos mais preocupados a cada dia", explica Diego, morador local que relata ter ficado doze dias sem abastecimento em casa. Ele teme especialmente as consequências para a saúde caso a água se torne imprópria para consumo.
Em resposta à situação, o governo planeja distribuir água e perfurar novos poços. No entanto, a crise deve persistir: meteorologistas preveem que a seca se agravará devido ao El Niño, que pode ser o mais intenso da história.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU, por exemplo, estimou recentemente que a América Central "provavelmente será a região mais afetada em termos de aumento relativo da insegurança alimentar" devido ao fenômeno climático.
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