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América Latina

Homens presos em mina finalmente retornarão à superfície

12 out 2010 - 10h20
(atualizado às 11h50)
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Os 33 homens presos numa mina chilena devem percorrer na noite desta terça-fera quase meia milha através de um tubo um pouco mais largo que seus ombros, à medida que o período de dois meses em que estão debaixo da mina se aproxima do fim.

Mineiros se oferecem para sair por último no resgate:

Os mineiros estão há 68 dias nas profundezas quentes e úmidas de uma pequena mina de ouro e cobre no deserto do Atacama, após o acidente em 5 de agosto, e agora enfrentam uma viagem bastante angustiante até a superfície em cápsulas construídas especialmente para esse fim.

Esposas, filhos, pais e amigos estão esperando em um árido e pedregoso local cerca de 625 m acima de onde os mineiros estão presos, no chamado "Acampamento da Esperança". Toda a nação, ainda se recuperando do devastador terremoto de fevereiro, está pronta para comemorar.

"Agora mesmo estou calma, embora ainda esteja muito ansiosa. Espero que meus nervos não me traiam quando o resgate começar", disse Jessica Salgado logo ao amanhanecer, cujo marido, Alex, está preso na mina. "A primeira coisa que vou fazer é abraçá-lo forte, dizer a ele o quanto o amo e como eu senti a falta dele todo esse tempo", acrescentou.

Vigília dos parentes

Muitos parentes dos mineiros faziam vigílias à medida em que o ponto alto da operação de salvamento se aproxima. Noemi Donoso, cujo genro Samuel Avalos, 43 anos, está entre os presos na mina, começava a orar junto com outros quatro membros da família. Eles davam as mãos uns aos outros para formar um círculo, cantando hinos e entoando "aleluia" e "glória a Deus".

Sua filha havia acabado de chegar para arrumar o cabelo em um salão de beleza improvisado em outra barraca do acampamento. "Ela foi ao salão para se arrumar para ficar bonita quando o receber", afirmou Donoso.

O resgate testou na segunda-feira com sucesso uma cápsula apelidada de Fênix (pássaro mitológico que renasceu das cinzas), após construírem parcialmente um túnel com um duto de escape com tubos de metal para evitar qualquer desastre de última hora. Eles inicialmente encontraram os homens - todos vivos 17 dias após o acidente - através de um buraco da espessura de uma uva, que se tornou o cordão umbilical utilizado para passar gel hidratante, água e comida a fim de mantê-los vivos durante uma das mais ambiciosas operações de resgate do mundo.

Os homens bateram o recorde de trabalhadores que mais tempo sobreviveram no subsolo após um acidente envolvendo minas e agora têm de fazer exercícios para perderem peso.

Tem sido uma espera angustiante. "Estamos fazendo o máximo que podemos agora. Estamos quase lá", disse Gaston Henriquez, acampado próximo à entrada da mina desde o acidente, esperando que seu irmão José escape.

Quando a operação começar, levará 48 horas para retirar os homens. Quatro bombeiros descerão para ajudar os mineiros a se prepararem para retornar à superfície.

A viagem à superfície feita por cada um dos homens deve levar de 12 a 15 minutos. Os mineiros terão seus olhos vendados e receberão imediatamente óculos escuros para não prejudicar a visão após passarem tanto tempo no escuro.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, que ordenou uma revisão nas regras de segurança das minas devido ao acidente, planeja visitar o local nesta terça-feira. Um dos 33 mineiros é boliviano, e o mandatário da Bolívia, Evo Morales, prometeu fazer uma visita à mina.

Desmoronamento

Em 5 de agosto, um desmoronamento na mina San José, em Copiapó, deixou 33 trabalhadores presos em uma galeria a quase 700 m de profundidade. Após 17 dias, as equipes de resgate conseguiram contato com o grupo e descobriram que estavam todos vivos por meio de um bilhete enviado à superfície. A partir daí, começou a operação para retirá-los da mina em segurança.

A escavação do duto que alcançou os mineiros durou 33 dias. O processo terminou no sábado, quando os martelos das perfuradoras chegaram até o abrigo onde eles estão. Concluída esta etapa, as equipes de resgate decidiram revestir o duto - ainda que parcialmente - para aumentar a segurança antes de retirá-los. O içamento estava previsto para começar à 0h de quarta-feira, mas pode ser antecipado para as 20h de terça.

A cápsula Fênix, que será usada para içar os mineiros, tem 53 cm de diâmetro. Todo trajeto de subida durará cerca de 15 minutos, apesar de a operação de saída levar cerca de uma hora para cada mineiro. Durante todo o percurso de subida, eles terão suas condições de saúde monitoradas, usarão tubos de oxigênio e se comunicarão com as equipes da superfície por meio de microfones instalados nos capacetes.

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