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América Latina

Eleições na Guiana colocam riqueza petrolífera do país no centro do debate

A Guiana realiza nesta segunda-feira (1º) eleições gerais, presidenciais e legislativas. Este pequeno país da América do Sul, com cerca de 850 mil habitantes, possui vastas reservas de petróleo, cuja exploração começou apenas em 2019. A campanha presidencial concentrou-se, sobretudo, em como garantir que a população se beneficie dos lucros extraordinários gerados por esse recurso.

1 set 2025 - 09h54
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A Guiana realiza nesta segunda-feira (1º) eleições gerais, presidenciais e legislativas. Este pequeno país da América do Sul, com cerca de 850 mil habitantes, possui vastas reservas de petróleo, cuja exploração começou apenas em 2019. A campanha presidencial concentrou-se, sobretudo, em como garantir que a população se beneficie dos lucros extraordinários gerados por esse recurso.

Apoiadores do candidato presidencial da Guiana, Aubrey Norton, do partido APNU, agitam bandeiras enquanto participam de um comício em Georgetown, em 30 de agosto de 2025.
Apoiadores do candidato presidencial da Guiana, Aubrey Norton, do partido APNU, agitam bandeiras enquanto participam de um comício em Georgetown, em 30 de agosto de 2025.
Foto: © JOAQUIN SARMIENTO / AFP / RFI

Localizada entre Venezuela, Brasil e Suriname, a Guiana detém as maiores reservas de petróleo per capita do mundo. Estima-se que mais de 11 bilhões de barris estejam armazenados em seu subsolo, sendo que 95% do território é coberto por florestas tropicais.

Essa geografia torna o processo eleitoral logisticamente desafiador. Um gigantesco campo petrolífero, situado a 200 quilômetros da costa, está sendo explorado pela empresa norte-americana ExxonMobil. Mas o acordo, firmado com a empresa na época, é considerado pelos candidatos à eleição, extremamente desfavorável ao país.

"Quando a Exxon veio explorar o solo, ninguém imaginava que havia petróleo aqui. O contrato de partilha de receitas assinado pelo governo anterior foi um péssimo negócio. Mas não podemos voltar atrás — que mensagem isso enviaria aos investidores?", argumentou o presidente Irfaan Ali, antes de assumir o cargo, em entrevista à BBC. "Por outro lado, nosso governo garantiu que os contratos futuros serão mais justos para a Guiana", completou.

Crescimento recorde, desigualdade persistente

A Guiana registra um crescimento econômico superior a 40%, um dos mais altos do mundo, e o orçamento do governo quadruplicou até 2025. No entanto, esse avanço não tem sido sentido por toda a população. Quase metade dos guianenses ainda vive abaixo da linha da pobreza, e a inflação pesa fortemente sobre os lares.

"Não se deixem enganar por esses indicadores sofisticados de crescimento: a realidade é que os guianenses estão mais pobres hoje. Quando o partido no poder aumenta os salários, nunca o faz de forma equitativa. Eles apenas ampliam a desigualdade de renda no país", denuncia Amanza Walton-Desir, candidata presidencial da oposição.

A disputa presidencial ocorre entre três candidatos: o atual presidente Irfaan Ali, que busca a reeleição; Aubrey Norton, representante da oposição; e o empresário Azruddin Mohamed. Todos prometem "colocar mais dinheiro nos bolsos" da população, desenvolver o país com os recursos do petróleo, melhorar os serviços de saúde e educação, e aumentar os salários — em um cenário marcado por preços elevados dos alimentos.

Assim como seus adversários, Amanza Walton-Desir prometeu pressionar a ExxonMobil para renegociar sua licença de operação.

A tensão com a Venezuela

Outro tema sensível, também ligado à riqueza petrolífera, é a disputa territorial com a Venezuela. Caracas reivindica a região de Esequibo, rica em recursos naturais e que representa dois terços do território guianense. Georgetown levou o caso à Corte Internacional de Justiça, mas o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não reconhece a jurisdição do tribunal.

Com isso, há risco de escalada militar. Tropas venezuelanas estão posicionadas na fronteira, enquanto a Guiana conta com o apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Os resultados das eleições são esperados até, no mínimo, quinta-feira, segundo a Comissão Eleitoral.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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