Eleições na Guiana colocam riqueza petrolífera do país no centro do debate
A Guiana realiza nesta segunda-feira (1º) eleições gerais, presidenciais e legislativas. Este pequeno país da América do Sul, com cerca de 850 mil habitantes, possui vastas reservas de petróleo, cuja exploração começou apenas em 2019. A campanha presidencial concentrou-se, sobretudo, em como garantir que a população se beneficie dos lucros extraordinários gerados por esse recurso.
A Guiana realiza nesta segunda-feira (1º) eleições gerais, presidenciais e legislativas. Este pequeno país da América do Sul, com cerca de 850 mil habitantes, possui vastas reservas de petróleo, cuja exploração começou apenas em 2019. A campanha presidencial concentrou-se, sobretudo, em como garantir que a população se beneficie dos lucros extraordinários gerados por esse recurso.
Localizada entre Venezuela, Brasil e Suriname, a Guiana detém as maiores reservas de petróleo per capita do mundo. Estima-se que mais de 11 bilhões de barris estejam armazenados em seu subsolo, sendo que 95% do território é coberto por florestas tropicais.
Essa geografia torna o processo eleitoral logisticamente desafiador. Um gigantesco campo petrolífero, situado a 200 quilômetros da costa, está sendo explorado pela empresa norte-americana ExxonMobil. Mas o acordo, firmado com a empresa na época, é considerado pelos candidatos à eleição, extremamente desfavorável ao país.
"Quando a Exxon veio explorar o solo, ninguém imaginava que havia petróleo aqui. O contrato de partilha de receitas assinado pelo governo anterior foi um péssimo negócio. Mas não podemos voltar atrás — que mensagem isso enviaria aos investidores?", argumentou o presidente Irfaan Ali, antes de assumir o cargo, em entrevista à BBC. "Por outro lado, nosso governo garantiu que os contratos futuros serão mais justos para a Guiana", completou.
Crescimento recorde, desigualdade persistente
A Guiana registra um crescimento econômico superior a 40%, um dos mais altos do mundo, e o orçamento do governo quadruplicou até 2025. No entanto, esse avanço não tem sido sentido por toda a população. Quase metade dos guianenses ainda vive abaixo da linha da pobreza, e a inflação pesa fortemente sobre os lares.
"Não se deixem enganar por esses indicadores sofisticados de crescimento: a realidade é que os guianenses estão mais pobres hoje. Quando o partido no poder aumenta os salários, nunca o faz de forma equitativa. Eles apenas ampliam a desigualdade de renda no país", denuncia Amanza Walton-Desir, candidata presidencial da oposição.
A disputa presidencial ocorre entre três candidatos: o atual presidente Irfaan Ali, que busca a reeleição; Aubrey Norton, representante da oposição; e o empresário Azruddin Mohamed. Todos prometem "colocar mais dinheiro nos bolsos" da população, desenvolver o país com os recursos do petróleo, melhorar os serviços de saúde e educação, e aumentar os salários — em um cenário marcado por preços elevados dos alimentos.
Assim como seus adversários, Amanza Walton-Desir prometeu pressionar a ExxonMobil para renegociar sua licença de operação.
A tensão com a Venezuela
Outro tema sensível, também ligado à riqueza petrolífera, é a disputa territorial com a Venezuela. Caracas reivindica a região de Esequibo, rica em recursos naturais e que representa dois terços do território guianense. Georgetown levou o caso à Corte Internacional de Justiça, mas o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não reconhece a jurisdição do tribunal.
Com isso, há risco de escalada militar. Tropas venezuelanas estão posicionadas na fronteira, enquanto a Guiana conta com o apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Os resultados das eleições são esperados até, no mínimo, quinta-feira, segundo a Comissão Eleitoral.
(Com AFP)