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América Latina

Discurso de Trump diante do Congresso deve expor concentração de poder e crise institucional nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz nesta terça-feira (24) o discurso anual sobre o Estado da União diante de um país profundamente transformado e politicamente tensionado. Um ano após reassumir a Casa Branca, Trump chega ao Congresso com uma agenda marcada pela concentração de poder, pelo esvaziamento do papel do Legislativo e por políticas que colocaram à prova os limites institucionais da democracia americana.

24 fev 2026 - 07h00
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Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

Declarações feitas por Donald Trump nas horas que antecedem o pronunciamento indicam que o presidente deve usar a tribuna para defender seu histórico e tentar recuperar o apoio dos eleitores.
Declarações feitas por Donald Trump nas horas que antecedem o pronunciamento indicam que o presidente deve usar a tribuna para defender seu histórico e tentar recuperar o apoio dos eleitores.
Foto: Getty Images via AFP - KEVIN DIETSCH / RFI

Desde o início do novo mandato, Trump acelerou decisões que romperam tradições políticas históricas. O republicano impôs mudanças unilaterais na política migratória, pressionou alianças internacionais, adotou tarifas comerciais sem aval do Congresso e avançou sobre áreas tradicionalmente protegidas por mecanismos de controle institucional. Nesse período, dois americanos morreram durante protestos contra operações federais de imigração e deportações em massa conduzidas por seu governo.

O discurso ocorre em um momento considerado crítico para o Congresso, que mesmo com maioria republicana apertada tem sido frequentemente contornado pelo presidente. Na prática, Trump governou por decretos, ordens executivas e interpretações amplas de poderes já concedidos, reduzindo o espaço de atuação dos parlamentares.

Imigração, economia e tarifas no centro da fala

Declarações feitas por Trump nas horas que antecedem o pronunciamento indicam que o presidente usará a tribuna para defender seu histórico e tentar recuperar apoio de eleitores. A política migratória deve ocupar papel central, com destaque para a Lei Laken Riley, que endurece as regras de detenção e deportação de imigrantes sem status legal, especialmente aqueles acusados ou condenados por crimes.

Republicanos também pressionam para que Trump trate do custo de vida, assunto sensível para o eleitorado americano, e das significativas reduções de impostos previstas para entrar em vigor ainda neste mês.

No comércio internacional, Trump voltou a sinalizar disposição para ignorar o Congresso como a recente decisão da Corte Suprema sobre o bloqueio das tarifas sobre importação. Em publicação recente, ele afirmou que não precisa de autorização legislativa para impor tarifas, alegando que essa prerrogativa já lhe foi concedida no passado. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse à imprensa que seu partido não apoiará a prorrogação das tarifas temporárias de 15%. Nos bastidores, até parlamentares republicanos admitem dúvidas sobre a existência de votos suficientes para aprovar essa medida.

Apesar das resistências, Trump promete um discurso longo e assertivo. "Temos a maior economia que já tivemos e a maior atividade da nossa história", afirmou. "Vai ser um discurso longo, porque temos muito a falar", postou o líder nas redes sociais.

Governo sem contrapesos

Ao longo do último ano, Trump ampliou o alcance do Executivo de forma inédita. Cortou milhares de postos no funcionalismo federal, alterou diretrizes de saúde pública, lançou investigações contra adversários políticos, rebatizou prédios históricos, incluindo o tradicional John F. Kennedy Center, e expandiu centros de detenção para deportações, adaptando galpões industriais para esse fim.

Em diversos momentos, o Congresso poderia ter imposto limites, mas não o fez. Democratas, hoje na minoria, tentaram reagir ao condicionar verbas do Departamento de Segurança Interna a restrições nas operações migratórias, sem sucesso.

Aliados do presidente argumentam que o eleitorado deu a Trump e aos republicanos o controle do Congresso justamente para viabilizar essa agenda. Nesse sentido, o presidente da Câmara, Mike Johnson, defende que Trump será o considerado o presidente mais consequente da era moderna.

Do outro lado, democratas avaliam boicotar o discurso ou permanecer em silêncio durante a fala. "O estado da União está se desfazendo", disse o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, em declaração à agência AP.

Brasileiro entre os convidados

Entre os convidados do discurso estará o brasileiro Marcelo Gomes da Silva, estudante que vive em Milford, no estado de Massachusetts. Ele foi detido em maio de 2025 por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) por estar com o visto vencido quando seguia para um treino de vôlei.

Marcelo ficou cinco dias detido em um centro de imigração em Burlington, no mesmo estado, e foi libertado após uma audiência de apenas quatro minutos, na qual o governo não apresentou argumentos. A fiança foi fixada em US$ 2 mil.

O convite partiu do deputado democrata Seth Moulton, que disputa a indicação do partido ao Senado. Tradicionalmente, parlamentares escolhem convidados cujas histórias simbolizam temas centrais do debate político.

"Como imigrante, ser convidado para o State of the Union é profundamente significativo", afirmou Marcelo em nota. "Tenho orgulho de representar a força, a fé e o trabalho duro da minha comunidade."

"Convidei Marcelo porque sua história mostra o que está rompido no nosso sistema de imigração hoje", disse Moulton.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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