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Guaidó convoca greves na Venezuela

Presidente autoproclamado pede paralisação geral na administração pública do país como parte de operação para derrubar governo.

1 mai 2019
19h56
atualizado às 20h12
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Milhares de manifestantes saíram às ruas nesta quarta-feira (1) em várias cidades da Venezuela contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Os protestos foram convocados pelo líder oposicionista Juan Guaidó um dia depois do levante que não conseguiu derrubar o governo.

Guaidó discursou para os manifestantes
Guaidó discursou para os manifestantes
Foto: DW / Deutsche Welle

Guaidó discursou aos manifestantes que estavam reunidos em Caracas. O autoproclamado presidente interino do país convocou uma greve progressiva na administração pública a partir de amanhã como novo passo da chamada Operação Liberdade, que visa derrubar Maduro.

"Amanhã vamos acompanhar a proposta de greve escalonada", disse Guaidó diante de milhares pessoas que se concentraram no leste da capital. "Se o regime acreditava que tínhamos chegado ao máximo de pressão, se equivocaram. Vamos continuar nas ruas até conseguir a liberdade da Venezuela", declarou.

O opositor também comemorou o fato de que milhares de pessoas estejam nas ruas protestando, "apesar da intimidação" que atribui ao governo de Maduro. Guiadó não se referiu expressamente a ao levante fracassado da terça-feira, no entanto, afirmou que continuará convocando protestos até conseguir o fim da "usurpação", que é a forma como se refere ao mandato de Maduro.

Guaidó disse ainda que o chavismo "vai tentar aumentar a repressão" contra as manifestações e, apesar disso, pediu aos cidadãos que usem uma faixa azul como as que empregaram os militares rebeldes que desafiaram o governo.

Sob um sol escaldante, os manifestantes batiam tambores e carregavam cartazes com a inscrição "liberdade". Em outros pontos da capital, grupos entraram em confrontos com integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB).

As forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que respondiam jogando pedras e coquetéis molotov. Os confrontos deixaram pelo menos 27 feridos.

Violentos protestos ocorreram nos arredores da base aérea de La Carlota, local onde Guaidó iniciou na terça-feira levante contra Maduro. Manifestantes encapuzados enfrentaram os policiais por mais de três horas. Os agentes dispararam em várias ocasiões para conter o avanço dos opositores.

As manifestações populares contra o governo também aconteceram em várias cidades do interior do país.

Movimento de apoio a Maduro

Os chavistas também saíram às ruas em apoio a Maduro. Em Caracas, o grupo se concentrou no centro e no oeste da cidade para participar dos atos convocados pelo governo para o Primeiro de Maio.

No ato, Maduro acusou os Estados Unidos de terem comando o levante "contra a democracia venezuelana" e afirmou que a Justiça está procurando os responsáveis pela revolta. "Mais cedo ou mais tarde, pagarão com a prisão pelo crime de traição", ressaltou.

Maduro afirmou ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi enganado quando disseram que ele tinha intenção de fugir para Cuba assim que começou a revolta militar em Caracas. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse na terça-feira que o líder venezuelano desistiu de deixar a Venezuela após ser convencido pela Rússia

Após a convocação de greve de Guaidó, o dirigente chavista Diosdado Cabello, pôs em dúvida que a proposta tenha sucesso e disse que o opositor fala "muitas bobagens". Cabello, uma das principais figuras do chavismo, ironizou ainda as declarações do enviado dos Estados Unidos para o país, Elliott Abrams.

Mais cedo, Abrams afirmou que membros do alto escalão do governo da Venezuela que estariam negociando com a Casa Branca a saída de Nicolás Maduro do poder desligaram os celulares. Ele disse ter ficado frustrado com o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno, e o comandante da Guarda de Honra Presidencial, Iván Rafael Hernández Dala. "Falaram, falaram e falaram e quando chegou o momento da ação não estavam dispostos a fazer", criticou.

Considerado o "número 2" do chavismo, Cabello acusou o enviado americano de estar mentindo e afirmou que era preciso fazer uma homenagem ao ministro da Defesa pela rápida resposta ao levante militar.

Operação Liberdade

A oposição venezuelana vem há meses realizando grandes protestos contra Maduro, mas ainda não conseguiu tirá-lo do poder. As manifestações desta quarta-feira ocorrem um dia depois de uma ousada tentativa revolta militar comandada por Guaidó, que não conseguiu romper o respaldo do alto comando militar ao governo.

O levante foi marcado por confrontos em Caracas entre opositores e forças leais ao regime, que deixaram pelo menos 80 feridos e mais de 100 pessoas presas ontem, de acordo com dados não oficiais. Apesar de não ter conseguido atingir o objetivo pretendido, Guaidó insistiu que "Maduro não tem apoio nem respeito das Forças Armadas, muito menos do povo da Venezuela".

Diante da incerteza, a revolta levou dezenas de venezuelanos a fugiram para o Brasil na terça-feira. Segundo dados do governo, 850 venezuelanos entraram no país a pé, quase o triplo da média que a atravessa a fronteira diariamente.

Enquanto o líder oposicionista foi apoiado como presidente interino por cerca de 50 países, as Forças Armadas mantiveram seu apoio a Maduro, que ainda conta com o apoio de aliados como Rússia, China e Cuba.

Maduro classificou o levante convocado por Guaidó de uma "escaramuça golpista que foi derrotada" e disse que o regime continua contando com o apoio dos comandos militares.

A crise venezuelana aumentou ainda a tensão entre Estados Unidos e Rússia. Pompeo acusou Moscou de desestabilizar a Venezuela ao apoiar Maduro e afirmou que Washington está preparado para intervir militarmente no conflito, se necessário.

Já o ministro russo do Exterior, Sergey Lavrov, criticou a interferência dos Estados Unidos na crise venezuelana. Em comunicado, Lavrov disse ter conversado por telefone com Pompeo e ressaltou que a interferência de Washington em assuntos internos de um país é uma violação do direito internacional. O ministro alertou ainda que a escalada da agressão pode ter consequências sérias.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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