Colômbia vive nova escalada de violência a um mês de eleições presidenciais
Uma nova onda de violência continua a espalhar medo na Colômbia. Desde 24 de abril, os ataques se multiplicaram na região do Cauca e já deixaram dezenas de mortos. Diante da escalada da violência, o governo convocou um conselho extraordinário de segurança e anunciou uma recompensa de até 5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 7 milhões) por informações que levem à captura dos responsáveis. Os ataques ocorrem a pouco mais de um mês das eleições presidenciais.
Najet Benrabaa, correspondente da RFI em Medellín
No último fim de semana, foram registrados 26 ataques em diferentes regiões do país. Um deles deixou pelo menos 20 mortos e dezenas de feridos em uma rodovia do departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia. As autoridades atribuíram o atentado a dissidentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Segundo o Exército, a explosão ocorreu durante um bloqueio montado por esses grupos armados. A bomba atingiu mais de uma dezena de veículos, arrastando-os por vários metros, de acordo com testemunhas. Imagens captadas pela AFP mostram corpos cobertos, veículos destruídos e uma enorme cratera na estrada. Vídeos divulgados nas redes sociais exibem os corpos das vítimas espalhados pelo chão.
De acordo com informações preliminares, todas as vítimas são civis. Pelo menos cinco menores estão entre os feridos. A força da explosão causou danos significativos à infraestrutura rodoviária da região e provocou o colapso de vias estratégicas que ligam o sudoeste do país ao centro da Colômbia.
O presidente Gustavo Petro classificou os ataques como atos terroristas e anunciou medidas imediatas, que podem incluir a apresentação de denúncias a instâncias internacionais, como o Tribunal Penal Internacional. Ele também ordenou o reforço das operações militares e de inteligência em todo o território nacional.
O ministro da Defesa, general Pedro Sánchez, viajou ao Cauca para supervisionar o destacamento militar.
"Esses ataques comprovam a fraqueza e a covardia dos dissidentes das Farc, que se sentem encurralados após nossas ofensivas militares no departamento de Cauca e na fronteira com o Valle del Cauca. Vamos reforçar nossa presença com dois pelotões blindados, equipados com tecnologia adicional para vigilância e prevenção. Estamos fortalecendo nossos serviços de inteligência para localizar os responsáveis pelos ataques", declarou Sánchez.
Três dias de luto em Cauca
A política de "paz total" do presidente Petro vem sendo alvo de críticas da oposição, que acusa o governo de permitir o fortalecimento de grupos armados ilegais e a deterioração da ordem pública.
Os candidatos à Presidência, Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, pediram uma revisão urgente da estratégia de segurança. No departamento de Cauca, três dias de luto oficial foram decretados, e as autoridades locais solicitaram maior presença do Estado.
Os dissidentes das FARC, liderados por Iván Mordisco — o criminoso mais procurado do país — abandonaram as negociações de paz em 2024 e intensificaram seus ataques contra civis e forças de segurança. As facções vêm recorrendo a explosivos, drones e confrontos armados como demonstração de força na região.
RFI e AFP
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