Caso do atirador de Nova York alerta para doença mental que pode atingir jogadores de futebol americano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (29) que a polícia de Nova York identifique as motivações do ataque cometido por um ex-jogador amador de futebol americano, que matou quatro pessoas — incluindo um policial — e feriu outra, antes de cometer suicídio em um arranha-céu de Manhattan, na noite de segunda-feira. De acordo com os investigadores, a principal hipótese, baseada em uma carta de despedida, é que o atirador tenha agido por ressentimento pessoal contra a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (29) que a polícia de Nova York identifique as motivações do ataque cometido por um ex-jogador amador de futebol americano, que matou quatro pessoas — incluindo um policial — e feriu outra, antes de cometer suicídio em um arranha-céu de Manhattan, na noite de segunda-feira. De acordo com os investigadores, a principal hipótese, baseada em uma carta de despedida, é que o atirador tenha agido por ressentimento pessoal contra a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL).
No texto de três páginas que carregava no bolso, o homem identificado como Shane Tamura — um morador de Las Vegas, de 27 anos — pediu que seu cérebro fosse "estudado" após a morte."Ele atirou contra o próprio peito, e não na cabeça", esclareceu o prefeito de Nova York, Eric Adams. De acordo com o bilhete encontrado pela polícia e citado pela imprensa local, o atirador escreveu: "Estudem meu cérebro. Sinto muito." Shane tinha histórico de transtornos psiquiátricos.
Segundo a chefe da polícia de Nova York, Jessica Tisch, Shane Tamura teria agido sozinho, após cruzar o país de carro. No veículo foram encontrados um revólver, munições, carregadores, uma licença para porte de arma oculta e caixas de medicamentos em seu nome.
Para Tisch, o agressor claramente escolheu como alvo o número 345 da Park Avenue — um grande edifício comercial que abriga escritórios de consultorias e instituições financeiras de prestígio, além da sede da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL). Câmeras de segurança registraram Shane saindo de um carro preto, armado com um fuzil de assalto M4. Em seguida, ele entrou no prédio e atirou imediatamente contra um policial que atuava como segurança particular, antes de disparar várias vezes no saguão do edifício.
Um funcionário da NFL ficou ferido no tiroteio, mas seu estado de saúde é estável, segundo informou o comissário da liga, Roger Goodell, à emissora NBC.
O prefeito de Nova York, Eric Adams, também se pronunciou nesta terça-feira sobre o massacre ocorrido em um arranha-céu da cidade e afirmou que os disparos tinham como alvo a principal liga de futebol americano.
"Parece que ele queria atacar funcionários da NFL", disse Adams ao canal local Fox. "Ele deixou uma carta de despedida (...) e, neste momento, tudo indica que acreditava ter desenvolvido ETC por ter jogado futebol americano", acrescentou.
Segundo os canais norte-americanos CNN e NBC, o atirador menciona a NFL em sua carta e culpa a liga por inicialmente ignorar os casos de encefalopatia traumática crônica (ETC) — uma doença que ele suspeitava ter e que considerava responsável por seus transtornos mentais.
O presidente Donald Trump classificou o ataque como um ato de violência "insensato", cometido por um "maluco". "Fui informado sobre o trágico tiroteio ocorrido em Manhattan, um lugar que conheço e amo", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Ele disse confiar nas forças de segurança para esclarecer os motivos que levaram "esse maluco a cometer um ato de violência tão insensato".
As acusações do atirador contra a NFL
A CNN informou que documentos encontrados junto ao corpo do atirador revelam suas queixas contra a NFL, que ele criticava pela forma como lidou com os casos de encefalopatia traumática crônica (ETC) — uma doença cerebral associada a impactos repetidos na cabeça e que afeta muitos jogadores de futebol americano.
"Não se pode enfrentar a NFL, eles vão te esmagar", escreveu Shane Tamura em uma carta de três páginas, na qual também pedia que seu cérebro fosse estudado após sua morte. Ele fazia referência ao suicídio de Terry Long, ocorrido em junho de 2005. Terry foi jogador do Pittsburgh Steelers e cometeu suicídio aos 45 anos. A autópsia revelou que ele sofria de ETC.
A autópsia de Terry Long foi conduzida por Bennet Omalu, neuropatologista nigeriano que travou uma batalha de cerca de 15 anos para que a NFL reconhecesse a relação entre concussões cerebrais repetidas e essa doença neurodegenerativa — apesar das tentativas da liga de ocultar os casos até 2016.
A doença dos jogadores de futebol americano que o atirador afirmava ter
O jornal francês Le Figaro recapitulou nesta terça-feira o massacre ocorrido em Nova York e alertou para "mais uma manifestação de um problema que afeta o futebol americano há mais de 20 anos".
"Essa doença, que pode causar uma série de sintomas comportamentais — como agressividade, impulsividade, depressão, ansiedade, paranoia e tendências suicidas — além de sintomas cognitivos progressivos, como perda de memória, é invisível em exames de imagem como a ressonância magnética e só pode ser diagnosticada por meio de autópsia, após a morte da pessoa afetada", explica o jornal.
Desde que foi identificada há 23 anos por Bennet Omalu — interpretado por Will Smith no filme Um Homem Entre Gigantes (Concussion), lançado em 2016 — a encefalopatia traumática crônica (ETC) se tornou um verdadeiro pesadelo para a NFL. O cientista fez uma descoberta que causou grande impacto nos Estados Unidos: devido a choques repetidos na cabeça, o estresse celular pode provocar um acúmulo anormal de proteínas, que danifica o sistema nervoso.
Embora as autoridades do futebol americano nos EUA tenham reconhecido a relação entre o esporte e a doença, e tenham implementado protocolos mais rígidos para lidar com concussões, os casos continuam a ser registrados. Desde 2017, um estudo publicado na revista médica JAMA já alertava que a ETC atingia 99% dos cérebros de ex-jogadores da NFL que foram doados para pesquisa científica.
(RFI com agências)