Ajuda colombiana chega a Cuba em meio a falta de combustível e pressão do embargo dos EUA
Cuba recebeu nesta sexta-feira (12) um carregamento de ajuda humanitária enviado pela Colômbia, em meio à crise econômica e energética agravada pelo embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos no fim de janeiro. A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, enfrenta escassez de combustíveis após a chegada de apenas um petroleiro russo desde a sanção. O governo colombiano enviou alimentos, medicamentos, suprimentos hospitalares e painéis solares para aliviar a situação.
A chegada de um navio da Marinha colombiana ao porto de Havana nesta sexta-feira (12) marcou mais um capítulo da crise energética e econômica que atinge Cuba desde o embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos no fim de janeiro. A medida, adotada sob o argumento de que a ilha representa uma ameaça à segurança nacional norte-americana, reduziu drasticamente o acesso cubano a combustíveis.
O navio ACR Caribe, que partiu de Cartagena, transportou cerca de 100 toneladas de alimentos, medicamentos, suprimentos hospitalares e painéis solares, segundo o governo de Gustavo Petro. A carga foi enviada "considerando as dificuldades enfrentadas pela ilha devido às consequências das recentes catástrofes naturais e da situação energética e econômica complexa", afirmou Bogotá.
Desde a entrada em vigor do embargo, apenas um petroleiro russo atracou em Cuba, e suas reservas já se esgotaram. A escassez tem provocado longas filas em postos de combustível, interrupções no transporte público e cortes frequentes de energia, agravando um cenário econômico já frágil.
A Colômbia não é o único país a enviar ajuda. O México despachou seis carregamentos marítimos desde fevereiro, enquanto organizações da sociedade civil do Uruguai e de Belize também contribuíram com doações. Os envios buscam mitigar os efeitos da crise, que se intensificou após o furacão Melissa, responsável por danos significativos em infraestrutura e moradias.
"Prioridades"
O governo cubano anunciou nesta sexta-feira que trabalha em uma série de "prioridades" para reformar seu modelo econômico e social diante do agravamento da situação. As autoridades não detalharam quais medidas estão em estudo, mas indicaram que as mudanças devem envolver ajustes estruturais para enfrentar a queda na oferta de energia e a persistente escassez de bens essenciais.
A chegada da ajuda colombiana ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre o impacto humanitário das sanções. Organizações independentes alertam que a combinação de embargo, crise interna e eventos climáticos extremos tem ampliado a vulnerabilidade da população, especialmente em regiões rurais e áreas afetadas por desastres naturais.
Apesar das dificuldades, Havana mantém negociações com países aliados para garantir novos carregamentos de combustível e ampliar a cooperação em energia renovável. Os painéis solares enviados pela Colômbia fazem parte desse esforço, embora representem apenas uma fração das necessidades da ilha.
Com AFP
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