Aliados se unem em apoio à Arábia Saudita enquanto houthis intensificam os ataques
Chefes militares de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão vão se reunir para planejar o apoio a Riad após a intensificação dos ataques dos rebeldes houthis, que ameaçam o fluxo global de petróleo e cidades sauditas. A aliança ocorre sob o pacto de defesa mútua firmado pelos três países. Paralelamente, o Irã tenta se distanciar das ações do grupo iemenita e negocia com os EUA uma trégua para cessar as hostilidades regionais e reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim de sanções econômicas.
Os chefes militares da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão devem se reunir para discutir como apoiar a Arábia Saudita no âmbito de um pacto de defesa conjunto, depois que a máxima autoridade religiosa saudita instruiu as tropas a estarem prontas para dar a vida na luta contra os militantes houthis do Iêmen, alinhados com o Irã.
Os houthis lançaram ataques contra o governo do Iêmen apoiado pela Arábia Saudita e dispararam repetidamente contra o território saudita, interrompendo o fluxo de petróleo do maior exportador de energia do mundo, como parte de uma guerra mais ampla no Oriente Médio que teve início com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em fevereiro.
Os houthis afirmaram ter disparado dezenas de mísseis e drones contra alvos sauditas na quinta-feira, enquanto as autoridades da Arábia Saudita declararam ter interceptado seis mísseis balísticos disparados por combatentes houthis.
A Arábia Saudita havia emitido anteriormente alertas de emergência para áreas que incluíam a cidade sagrada de Meca, bem como Jeddah e Yanbu, o principal porto petrolífero saudita no Mar Vermelho.
O Grande Mufti da Arábia Saudita, a máxima autoridade religiosa do reino, exortou os soldados a estarem prontos para dar a vida na luta contra os houthis até que o grupo seja destituído do poder, de acordo com um comunicado divulgado na noite de quinta-feira.
Em meio aos combates, os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia se reuniram no âmbito do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, assinado em agosto. Eles condenaram os ataques contra Meca e outros alvos civis, ao mesmo tempo em que reafirmaram o direito da Arábia Saudita de se defender.
"Os ministros também discutiram os preparativos para a realização de uma reunião urgente dos chefes de Estado-Maior dos três países, a fim de debater formas de apoiar a Arábia Saudita no âmbito do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, que estipula que um ataque contra qualquer uma das partes constitui um ataque contra todas as partes", afirmou um comunicado saudita.
A reunião foi anunciada logo após o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ter tentado distanciar seu país dos houthis em uma entrevista à televisão norte-americana na quinta-feira.
"Os houthis são responsáveis por suas próprias ações", disse Pezeshkian ao programa "Special Report with Bret Baier", da Fox News, um dia depois de ter se apresentado perante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
O Ministério da Defesa da Turquia informou que o chefe do Estado-Maior, general Selcuk Bayraktaroglu, viajará para a Arábia Saudita na sexta-feira para se reunir com seus homólogos sauditas e paquistaneses.
Ancara já havia afirmado anteriormente que poderia ajudar a atender às necessidades militares de Riad, especialmente em questões técnicas, mas autoridades afirmaram que qualquer apoio, nesta fase, seria em grande parte bilateral e no espírito de sua aliança, uma vez que o acordo de defesa conjunta ainda não foi ratificado pelo Parlamento turco.
DIPLOMACIA DE IDAS E VINDAS
A entrevista e o discurso de Pezeshkian ocorreram em meio a uma trégua nos combates entre os EUA e o Irã e a uma breve tentativa de diplomacia em Nova York, com o Catar atuando como intermediário entre as partes em conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse aos repórteres na quinta-feira que Teerã havia transmitido uma proposta aos Estados Unidos por meio de intermediários, segundo a qual o Estreito de Ormuz seria reaberto caso as condições de Teerã sejam atendidas.
De acordo com a proposta do Irã, as hostilidades terminariam em todas as frentes, incluindo o Líbano, em até sete dias. Os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos, liberariam os fundos congelados do Irã e revogariam as sanções ao petróleo, disse ele.
"O Estreito de Ormuz será reaberto no último dia", disse Araqchi, acrescentando que as negociações com os EUA sobre outras questões, incluindo a questão nuclear iraniana, teriam início a partir de então.
Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na quarta-feira que Teerã estava analisando a resposta de Washington às suas propostas de paz.
Os preços do petróleo caíram nesta sexta-feira, à medida que os mercados avaliavam a possibilidade de um cessar-fogo, apesar de o número de navios registrados em trânsito pelo Estreito de Ormuz ter caído para nove na quinta-feira, metade da média dos últimos 10 dias.
A guerra, que o presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou ao lado de Israel, já matou milhares de pessoas e perturbou o comércio global e o abastecimento de energia, aumentando as pressões inflacionárias.
Embora os combates entre os EUA e o Irã tenham sido intermitentes, os aliados iranianos se mobilizaram: o Hezbollah enfrenta Israel no Líbano e os houthis avançam no Iêmen.
O Irã e seus aliados reduziram significativamente as exportações de petróleo da Arábia Saudita, aliada dos EUA. Os houthis interromperam o tráfego de navios na foz do Mar Vermelho, enquanto o Irã limitou efetivamente o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo antes da guerra.
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