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Agência de espionagem alemã classifica partido de extrema-direita AfD como "extremista"

2 mai 2025 - 09h57
(atualizado às 15h25)
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A agência de espionagem da Alemanha classificou nesta sexta-feira o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, como "extremista", o que lhe permite intensificar o monitoramento do maior partido de oposição do país, que criticou a medida como um "golpe contra a democracia".

Um relatório de 1.100 páginas elaborado por especialistas concluiu que o AfD é uma organização racista e antimuçulmana, uma conclusão que concede aos serviços de segurança poderes para recrutar informantes e interceptar comunicações do partido, e que reavivou os pedidos de proibição do partido.

"O ponto central de nossa avaliação é o conceito étnico e ancestralmente definido de povo que molda o AfD, que desvaloriza segmentos inteiros da população na Alemanha e viola sua dignidade humana", disse a agência de inteligência doméstica BfV em um comunicado.

"Esse conceito se reflete na postura geral antimigrante e antimuçulmana do partido", afirmou, acrescentando que o AfD havia despertado "medos irracionais e hostilidade" em relação a indivíduos e grupos.

A agência BfV precisa dessa classificação para poder monitorar um partido político porque é mais limitada legalmente do que outros serviços de inteligência europeus, um reflexo da experiência da Alemanha sob os regimes nazista e comunista.

Outras organizações classificadas como extremistas na Alemanha são grupos neonazistas, como o Partido Democrático Nacional (NDP), grupos islâmicos, incluindo o Estado Islâmico, e grupos de extrema-esquerda, como o Partido Marxista-Leninista da Alemanha.

A agência pôde agir depois que o AfD, no ano passado, perdeu um processo judicial no qual havia contestado sua classificação anterior pelo BfV como uma entidade suspeita de extremismo.

A medida segue outros reveses que a extrema-direita na Europa sofreu nos últimos meses ao tentar transformar o apoio crescente em poder. Eles incluem a proibição de Marine Le Pen, da França, de disputar a eleição presidencial de 2027 após sua condenação por peculato e o adiamento da votação presidencial da Romênia depois que um candidato de extrema-direita venceu o primeiro turno.

"MUITO SÉRIO. Depois da França e da Romênia, outro roubo da democracia?", escreveu Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro italiano e líder do partido de extrema-direita a Liga, no X.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a Alemanha deveria reverter a decisão de classificar o AfD como "extremista", enquanto o bilionário norte-americano Elon Musk, que deu seu apoio ao partido antes das eleições de fevereiro, alertou contra a proibição do partido.

"Banir o centrista AfD, o partido mais popular da Alemanha, seria um ataque extremo à democracia", disse Musk no X.

O AfD criticou a decisão desta sexta-feira como uma tentativa politicamente motivada de desacreditá-la e criminalizá-la.

"O AfD continuará a tomar medidas legais contra esses ataques difamatórios que colocam em risco a democracia", disseram os colíderes Alice Weidel e Tino Chrupalla em um comunicado.

PROIBIÇÃO?

O Parlamento alemão poderia agora tentar limitar ou suspender o financiamento público para o AfD -- mas para isso as autoridades precisariam de provas de que o partido está explicitamente empenhado em minar ou até mesmo derrubar a democracia alemã.

Enquanto isso, os funcionários públicos que pertencem a uma organização classificada como "extremista" podem ser demitidos, dependendo de sua função dentro da entidade, de acordo com o Ministério do Interior da Alemanha.

O estigma também poderia prejudicar a capacidade do AfD, que atualmente lidera várias pesquisas e é o partido de extrema-direita mais bem-sucedido da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial, de atrair membros.

A decisão da BfV ocorre dias antes da posse do líder conservador Friedrich Merz como novo chanceler da Alemanha e em meio a um debate acalorado dentro de seu partido sobre como lidar com o AfD no novo Bundestag, ou câmara baixa do Parlamento.

O AfD conquistou um número recorde de assentos na eleição nacional de fevereiro, ficando em segundo lugar, atrás dos conservadores de Merz, o que, em teoria, lhe deu o direito de presidir vários comitês parlamentares importantes.

Um proeminente aliado de Merz, Jens Spahn, pediu que o AfD fosse tratado como um partido de oposição normal para evitar que ele se apresentasse como uma "vítima".

No entanto, outros partidos tradicionais e muitos conservadores rejeitaram essa abordagem -- e poderiam usar as notícias desta sexta-feira para justificar o bloqueio das tentativas do AfD de liderar comitês.

"A partir de hoje, ninguém mais pode dar desculpas: Este não é um partido democrático", disse Manuela Schwesig, primeira-ministra de Mecklenburg-Vorpommern e membro sênior do Partido Social Democrata (SPD), que está prestes a formar um governo com os conservadores.

Sob o novo governo, as autoridades deveriam analisar a possibilidade de proibir o AfD, disse o líder do SPD Lars Klingbeil ao jornal Bild.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, que é do SPD e está de saída do cargo, pediu nesta sexta-feira uma avaliação cuidadosa e advertiu contra a pressa em proibir o partido.

Criado em 2013 para protestar contra os pacotes de resgate da zona do euro, o eurocético AfD se transformou em um partido antimigração após a decisão da Alemanha de receber uma grande onda de refugiados em 2015.

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