Mohamed ElBaradei em imagem de arquivo de novembro 2012
Foto: Reuters
O ex-chefe da agência nuclear da ONU Mohamed ElBaradei foi nomeado neste sábado primeiro-ministro do Egito, três dias depois de o Exército derrubar o presidente Mohamed Mursi, anunciou o movimento Tamarod, que esteve na origem das manifestações contra o presidente islamita. A informação foi confirmada à agência EFE por Khaled Dawoud, porta-voz da Frente de Salvação Nacional, principal aliança não-islamita.
Uma fonte militar disse à AFP que ElBaradei, ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz 2005, prestará juramento ainda neste sábado. A agência estatal de notícias Mena indicou, por sua vez, que ElBaradei se reuniu mais cedo com o presidente interino, Adly Mansour, com o chefe das Forças Armadas, Abdel Fatah al-Sisi, e com o ministro do Interior, Mohammed Ibrahim.
Hosam Moanis, porta-voz da Corrente Popular liderada pelo líder nacionalista de esquerda Hamdin Sabahi, confirmou à EFE a nomeação de ElBaradei, que retirou no último momento sua candidatura nas eleições presidenciais realizadas no ano passado, vencidas por Mursi, deposto no último dia 3 pelo Exército. "Mohamed ElBaradei recebeu agora a incumbência do presidente de formar governo e começará consultas com as demais forças políticas para escolher a composição de seu gabinete", disse Moanis.
Na terça-feira, a oposição, integrada, entre outros, pelo Tamarod, havia designado ElBaradei como seu representante durante a transição política após a expulsão de Mursi. O mapa do caminho, elaborado pelo Exército, pela oposição e pelos principais líderes religiosos do país, estabelece a nomeação de um governo interino "dotado de plenos poderes" antes da realização de eleições presidenciais e legislativas em uma data que ainda não foi informada.
Mohammed ElBaradei, prêmio Nobel da Paz em 2005 por seu trabalho na AIEA, retornou ao Egito em 2010 para participar da oposição ao regime de Mubarak. ElBaradei apoiou ativamente o levante contra Mubarak em janeiro e fevereiro de 2011 e depois se posicionou como uma das figuras chave do movimento laico e liberal que atualmente exige a saída de Mursi e a organização de eleições presidenciais antecipadas.
Em entrevista à BBC na quinta-feira, ele defendeu o golpe militar e a deposição de Mursi, alegando que, apesar de ser "uma medida dolorosa que ninguém queria", "Mursi minou sua própria legitimidade ao se autodeclarar um faraó (em aparente referência às medidas de Mursi para aumentar seu poder)". "Então entramos em uma queda de braço, e não em um processo democrático", afirmou.
1º de julho - Manifestante vestido com a máscara de Guy Fawkes exibe cartão vermelho para o presidente Mohamed Mursi durante protesto na Praça Tahrir. Após um grande ato no domingo (dia 30), centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas exigindo que Mursi renunciasse ao cargo
Foto: AFP
1º de julho - Manifestantes saqueiam prédio da Irmandade Muçulmana no Cairo. Após massivos protestos contra Mursi no final de semana, confrontos se espalharam pelo país entre opositores e simpatizantes do presidente. O saldo de mortos já chegava a ao menos 18 vítimas fatais
Foto: AP
1º de julho - O presidente Mursi (dir.) se reúne com o primeiro-ministro, Hesham Kandil (centro) e o ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, Abdel Fattah el-Sisi, no Cairo. Em nome do Exército, Siisi deu um ultimato para que as forças políticas do país resolvessem em 48 horas a situação que levaram milhões de pessoas às ruas
Foto: AP
1º de julho - Helicópteros militares sobrevoam a Praça Tahrir, no Cairo, com bandeiras do Egito. As Forças Armadas dão um ultimato às forças políticas do país para que o impasse político seja resolvido
Foto: AP
1º de julho - Centenas de milhares de pessoas lotam a Praça Tahrir após o anúncio do ultimato dos militares
Foto: AFP
1º de julho - Silhueta de opositores egípcios que exigem a renúncia de Mursi após o ultimato dado pelos militares
Foto: AP
1º de julho - Fogos de artifício explodem sobre manifestação anti-Mursi nos arredores do Palácio Presidencial, no Cairo
Foto: AP
1º de julho - Simpatizantes de Mursi se manifestam enquanto fogos de artifício explodem sobre a região de Nasser, no Cairo
Foto: AP
2 de julho - Simpatizantes de Mursi treinam luta e se preparam para proteger o regime do presidente nos arredores da mesquita Rabia el-Adawiya, no Cairo
Foto: AP
2 de julho - Voluntários fazem cordão humano para proteger mulheres de agressões sexuais durante protesto contra Mursi na Praça Tahrir, no Cairo. Organizações de direitos humanos denunciaram que dezenas de mulheres foram violentadas em meio às manifestações e em vias de acesso
Foto: AP
2 de julho - Simpatizantes de Mursi tremulam bandeira enquanto helicóptero militar sobrevoa ato em Alexandria. As Forças Armadas sugerem que Mursi dê espaço para uma administração interina, o cancelamento da constituição de perfil islâmico e a convocação de novas eleições para 2014
Foto: Reuters
2 de julho - Manifestantes tomam ponte nas proximidades da Praça Tahrir para acessarem o protesto contra Mursi
Foto: Reuters
2 de julho - Policiais à paisada armados com fuzis acompanham manifestação anti-Mursi em Gizé
Foto: AP
2 de julho - Manifestante carregam bandeira gigante do Egito durante protesto contra Mursi no Palácio Presidencial, no Cairo
Foto: AP
2 de julho - Manifestantes contrários a Mursi projetam com lasers a expressão Game Over (o jogo acabou, do inglês) em prédio na Praça Tahrir. Durante a noite, Mursi discursa, defende a si próprio como o único representante legítimo do Egito e nega renunciar
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3 de julho - Manifestante protesta em frente à veículo em chamas durante confronto entre opositores e seguidores de Mursi em Gizé, durante a madrugada
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3 de julho - Manifestante ferido reage após confronto entre moradores e seguidores da Irmandade Muçulmana nos arredores da Universidade do Cairo. O ministério da Saúde aponta que mais 18 pessoas morreram nesses confrontos, iniciados na véspera
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3 de julho - Simpatizantes de Mursi rezam durante ato pró-Irmandade Muçulmana em frente à mesquita Raba El-Adwya, no Cairo
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3 de julho - Crianças egípcias seguram bandeiras do país e interagem com militares enquanto as Forças Armadas ocupam ruas do Cairo após o fim do ultimato para que o impasse político fosse resolvido
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3 de julho - Militares com armas em mãos montam guarda em manifestação contra Mursi nas proximidades da sede da Guarda Republicana, no Cairo. Um assessor de Mursi afirma que um golpe militar está em andamento
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3° de julho - Opositor de Mursi dá um beijo em militar durante ato nos arredores da Universidade do Cairo
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3 de julho - Fogos de artifício explodem sobre a Praça Tahrir em comemoração à queda do presidente Mursi. O chefe das Forças Armadas, Abdel Fattah al-Sisi, anuncia na televisão estatal que a deposição de Mursi. A Constituição é suspensa
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3 de julho - Manifestante exibe foto do general Abdel Fattah al-Sisi, chefe das Forças Armadas, após ele anunciar a deposição do presidente Mursi
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3 de julho - Membros da Irmandade Muçulmana e seguidores de Mursi exibem fotos do presidente deposto após o anúncio dos militares, no Cairo. Mursi denuncia um golpe militar contra um "Egito civil e democrático" e diz que segue sendo o presidente legítimo do país. Ele é mantido em prisão domiciliar
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3 de julho - Manifestantes celebram a queda Mursi na Praça Tahrir. Novos confrontos pelo país após o anúncio militar deixam 15 mortos
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