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Morte de Mandela causa tristeza na Palestina e constrangimento em Israel

8 dez 2013 09h16
| atualizado às 09h17
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Palestino olha para policial israelense durante ato em homenagem a Mandela, perto de Ramallah
Palestino olha para policial israelense durante ato em homenagem a Mandela, perto de Ramallah
Foto: AP

Os palestinos choram a morte de Nelson Mandela, que apoiou veementemente sua luta contra a ocupação israelense. Já em Israel a repercussão da morte do líder sul africano inclui autocrítica pela longa história de colaboração do país com o regime do apartheid.

Logo depois da morte de Mandela o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, determinou a colocação das bandeiras a meio mastro e decretou um dia de luto nacional. "O mundo e os palestinos perderam um grande líder, que sempre apoiou a causa palestina", declarou Abbas.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, também lamentou a morte de Mandela e afirmou que ele "inspirou os palestinos a lutarem por liberdade, união e democracia".

Homenagens
Neste domingo serão realizadas missas em cidades palestinas na Cisjordânia, em homenagem a Mandela. A missa principal deverá ocorrer na Basílica da Natividade, em Belém, com a presença de líderes palestinos e do embaixador da África do Sul.

Na última sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.

Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela, de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.

"De dentro da minha cela na prisão eu lhe digo que nossa liberdade parece possível depois que você conquistou a sua. O apartheid não venceu na África do Sul e não vencerá na Palestina", afirmou Barghouti, líder do partido Fatah e visto como um possível sucessor do presidente Abbas.

Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos "não será completa sem a liberdade dos palestinos".

Constrangimento
A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.

O primeiro ministro Binyamin Netanyahu declarou que Mandela era "uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência".

Segundo o presidente Shimon Peres, "o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História".

No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.

"Os dois lideres (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional", afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.

O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, 10 anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.

Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, "nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacifica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores".

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