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Funeral de Mandela: empresa de intérpretes para surdos 'mentia há anos'

Empresa forneceria intérpretes de baixa qualidade há anos; caso veio à tona após surdos denunciarem que tradução do funeral oficial de Mandela não fazia sentido

12 dez 2013
14h41
atualizado às 14h53
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O governo da África do Sul disse nesta quinta-feira que a polêmica empresa que presta serviços de linguagem de sinais para surdos e que foi contratada para o memorial de Nelson Mandela tem mentido por anos e fornecido interprétes de baixa qualidade.

Thamsanqa Dyantyi disse que sofreu um ataque de esquizofrenia durante o funeral
Thamsanqa Dyantyi disse que sofreu um ataque de esquizofrenia durante o funeral
Foto: AP

O caso veio à tona após deficientes auditivos da África do Sul denunciarem que o intérprete Thamsanqa Dyantyi usou gestos que não significavam nada. O intérprete esteve ao lado de oradores comos os presidentes Jacob Zuma, Barack Obama e Dilma Rousseff na última terça-feira.

Mais cedo, Dyantyi disse ter sofrido um surto de esquizofrenia durante o ato em homenagem ao líder sul-africano, morto na última sexta-feira. Milhares de pessoas e dezenas de chefes de Estado e governo de todo o mundo compareceram à cerimônia, em um estádio em Johannesburgo.

Em entrevista à agência AP, Dyantyi disse que começou a ter alucinações enquanto estava interpretando e que tentou não entrar em pânico porque políciais armados estavam ao seu redor. Ele também disse que já passou um ano hospitalizada em uma clínica para doenças mentais. 

A vice-ministra de Mulheres, Crianças e Pessoas com Deficiências, Hendrietta Bogopane-Zulu, admitiu que o caso foi um constrangimento para o governo sul-africano, mas assegurou que a presença de Dyantyi no palco não representou nenhuma ameaça.

A ministra também reconheceu que Dyantyi não era um intérprete profissional. "Ele não era capacitado para traduzir do inglês para o xhosa (língua africana) e então para a língua de sinais", disse.

Esquizofrenia
Em entrevista à imprensa sul-africana nesta quinta-feira, o intérprete de 34 anos justificou-se dizendo que teve alucinações durante a cerimônia e que "ouviu vozes". Isso teria prejudicado a sua concentração.

"Não havia nada que eu pudesse fazer. Eu estava sozinho em uma situação muito perigosa", disse Dyantyi ao jornal sul-africano Star. "Tentei me controlar e não mostrar ao mundo o que estava acontecendo. Eu lamento muito. É essa a situação na qual me encontrei."

Investigação
No entanto, em entrevista a uma rádio sul-africana, o intérprete - que trabalha para a empresa SA Interpreters - se disse satisfeito com seu desempenho. "Eu já fui intérprete em muitos eventos grandes", disse ele à Talk Radio 702. "Eu acho que eu sou um promotor da linguagem dos sinais."

Seu desempenho foi duramente criticado por surdos na África do Sul.

A política Wilma Newhoudt-Druchen, a primeira parlamentar mulher surda da África do Sul, disse no Twitter: "Intérprete ligado ao CNA (partido governista Congresso Nacional Africano) no palco com vice-presidente do CNA está sinalizando apenas lixo. Ele não sabe fazer sinais. Por favor, tirem-no dali."

O CNA foi quem organizou o evento. Dyantyi já havia trabalhado em outros dois eventos do partido no ano passado, que contaram com a presença do presidente do país, Jacob Zuma. O Instituto de Tradutores da África do Sul diz que o intérprete já fora alvo de denúncias no passado, mas que o CNA nunca tomou nenhuma providência.

As autoridades disseram estar investigando o caso. Na quarta-feira, o governo disse trabalhar para defender os direitos e a dignidade de pessoas com deficiências.

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