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Hackers ligados ao Irã reivindicam responsabilidade por ataque a fabricante de dispositivos médicos dos EUA

11 mar 2026 - 19h35
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Um grupo de hackers ligado ao ‌Irã reivindicou nesta quarta-feira a responsabilidade por um ataque cibernético destrutivo contra a fornecedora de serviços e dispositivos médicos Stryker, com sede nos Estados Unidos, de acordo com mensagens postadas no canal do Telegram do grupo.

A empresa sediada em Michigan, com 56.000 funcionários e operações em 61 países, disse em um documento à SEC que o ataque causou interrupções ⁠e limitações de acesso a alguns sistemas, e que o cronograma para uma restauração completa ‌ainda não é conhecido.

Funcionários e prestadores de serviços disseram em publicações nas mídias sociais que o logotipo de um grupo de hackers ligado ao Irã apareceu nas páginas ‌de login da empresa. A Reuters não conseguiu verificar ‌as publicações.

"Não temos nenhuma indicação de ransomware ou malware e acreditamos que o ⁠incidente está contido", disse um porta-voz da empresa, sem comentar sobre quem pode estar por trás do ataque.

As ligações para a sede global da empresa em Portage, Michigan, foram atendidas com uma gravação que dizia que a empresa está "atualmente passando por uma emergência no prédio".

As ações da Stryker caíram 3,6% nesta quarta-feira.

Aumentaram os temores de que o Irã, que ‌possui sofisticados recursos de espionagem cibernética, possa retaliar entidades dos EUA ou de Israel depois que ‌os dois países iniciaram ataques ⁠aéreos contra ele.

"Esse ⁠é exatamente o tipo de ataque que nos preocupa: aliados iranianos usando ataques cibernéticos destrutivos como a ⁠exclusão de dados contra empresas americanas para retaliar", ‌disse Cynthia Kaiser, vice-presidente sênior ‌do Centro de Pesquisa de Ransomware da empresa de segurança cibernética Halcyon e uma ex-autoridade digital sênior do FBI.

O Handala, um grupo de hackers ligado ao Irã que reivindicou vários ataques a alvos em Israel e em todo o mundo, disse ⁠em uma mensagem publicada em seu canal do Telegram que era responsável pelo ataque, que foi em resposta ao ataque à escola Minab no sul do Irã "e aos ataques cibernéticos em andamento".

O grupo não respondeu a um pedido de comentário enviado a uma de suas contas de mensagens.

A escola para ‌meninas em Minab foi atingida no primeiro dia de ataques israelenses e norte-americanos ao Irã, matando cerca de 150 estudantes, de acordo com o embaixador do Irã na ONU ⁠em Genebra, Ali Bahreini. A Reuters não verificou esse número de forma independente.

Um funcionário da Casa Branca disse: "O governo Trump está sempre monitorando proativamente possíveis ameaças cibernéticas e conduzindo uma resposta com nossa infraestrutura crítica de classe mundial, agências reguladoras e entidades de aplicação da lei".

O FBI e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura do Departamento de Segurança Interna não responderam aos pedidos de comentários.

"Eles são o grupo mais notório afiliado ao regime iraniano", disse o chefe de gabinete da Check Point, Gil Messing, em um email.

Messing acrescentou que a Check Point tem rastreado o grupo há anos e acredita que eles operam sob o Ministério da Inteligência do Irã.

"O fato de eles assumirem publicamente a responsabilidade por esse ataque e o fato de saberem que estão ligados ao governo mostram uma nova fase nas motivações do Irã."

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