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Justiça do Egito inocenta Mubarak de mortes de manifestantes

Corte também absolveu o ex-presidente de acusações de corrupção

29 nov 2014 08h24
| atualizado às 10h11
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<p>Hosni Mubarak, de 86 anos, permanecerá detido para cumprir uma pena de três anos por outro caso de corrupção</p>
Hosni Mubarak, de 86 anos, permanecerá detido para cumprir uma pena de três anos por outro caso de corrupção
Foto: AP

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak está livre da acusação de cumplicidade na morte de centenas de manifestantes durante a revolução de 2011 e foi inocentado de várias acusações de corrupção, mas permanecerá na prisão para cumprir outra condenação.

Um tribunal do Cairo retirou por motivos técnicos a acusação de cumplicidade na morte de manifestantes durante a repressão violenta dos protestos de 2011 e, ao mesmo tempo, absolveu Mubarak das acusações de corrupção.

No entanto, Mubarak, que tem 86 anos e governou o país com mão de ferro durante 30 anos, continuará detido em um hospital militar para cumprir uma pena de três anos por outro caso de corrupção.

Os dois filhos do ex-presidente, Alaa e Gamal, julgados ao lado do pai, foram absolvidos pela prescrição dos delitos dos quais eram acusados.

Os dois beijaram Mubarak no rosto, enquanto o ex-presidente se limitou a exibir um sorriso discreto.

Após o anúncio do veredicto, a alegria explodiu na sala do tribunal entre os jornalistas simpatizantes de Mubarak.

Do lado de fora da Academia de Polícia, local do julgamento, Mustafah Mursi, que perdeu o filho Mohamed durante a revolta de 2011, lamentou a sentença.

"Este veredicto é injusto. O sangue do meu filho foi derramado em vão".

Para o advogado de Mubarak, Farid al-Deeb, a decisão "prova a integridade" do governo do ex-presidente.

Durante o processo pela morte dos manifestantes, sete ex-dirigentes das forças de segurança, incluindo o ex-ministro do Interior Habib al-Adly, foram declarados inocentes pelo juiz Mahmud Kamel al-Rashidi.

O veredicto estava previsto para 27 de setembro, mas o magistrado mudou a data ao alegar que não recebera tempo suficiente para ler as 2.000 páginas do processo.

Mubarak foi condenado em junho de 2012 à prisão perpétua, mas a sentença foi anulada por razões técnicas, o que provocou um novo julgamento. O novo processo teve início em maio de 2013.

Mais de 840 pessoas morreram nos 18 dias da revolta popular de 2011 contra o regime de Mubarak, durante a qual os manifestantes exigiram a renúncia do ex-presidente.

A brutalidade policial e os abusos das forças de segurança estavam entre as causas dos protestos.

Nos últimos dias, a imprensa egípcia apostava em uma possível absolvição de Mubarak, uma consequência da mudança do clima político do país entre 2012 e agora.

Os julgamentos contra Mubarak, com ampla cobertura da imprensa no início, rapidamente foram ofuscados pelos processos contra seu sucessor, o islamita Mohamed Mursi, destituído em julho de 2013 pelo ex-comandante do exército e atual presidente, Abdel Fatah al-Sisi.

Mursi e quase todos os dirigentes de sua organização, a Irmandade Muçulmana, acabaram detidos e correm o risco de condenação à pena de morte em diversos julgamentos.

Os meios de comunicação e boa parte da opinião pública acusam agora a Irmandade Muçulmana pela violência política iniciada em 2011, que ainda afeta o país.

Ao mesmo tempo, a polícia acabou reabilitada em certa medida, já que a imprensa aprova a repressão das forças de segurança contra os islamitas pró-Mursi.

Após o golpe que derrubou o primeiro presidente eleito de maneira democrática no país, mais de 1.400 manifestantes islamitas morreram em ações da polícia e do exército, principalmente no Cairo, e mais de 15.000 integrantes e simpatizantes da Irmandade foram detidos.

Centenas deles foram condenados à morte em julgamentos coletivos e sumários, chamados pela ONU de processos "sem precedente na história recente" do mundo.

O governo também reprime a oposição laica e de esquerda, com a detenção de dezenas de jovens militantes por infração de uma polêmica lei que limita o direito de protesto.

Mubarak afirmou em agosto que nunca ordenou a morte de manifestantes.

"Agora que minha vida se aproxima do fim, graças a Deus tenho a consciência tranquila", afirmou o ex-presidente, antes de declarar que estava feliz por ter dedicado sua vida a "defender o Egito".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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