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Muitos austríacos desconhecem o básico sobre o Holocausto, afirma estudo

2 mai 2019 - 10h14
(atualizado às 10h44)
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Maioria dos adultos austríacos não sabe que 6 milhões de judeus foram mortos no Holocausto, indica pesquisa. Ainda assim, diretora do memorial Yad Vashem vê progressos no país.A maioria dos adultos da Áustria não sabe que 6 milhões de judeus foram mortos durante o Holocausto, afirma um estudo divulgado nesta quinta-feira (02/05).

Mulheres saúdam Hitler às margens do Donau, logo depois da anexação da Áustria, em 1938
Mulheres saúdam Hitler às margens do Donau, logo depois da anexação da Áustria, em 1938
Foto: DW / Deutsche Welle

"Estamos vendo tendências perturbadoras que indicam uma falta de conhecimento sobre o Holocausto", disse Julius Berman, presidente da Claims Conference, organização que trabalha desde 1951 pela compensação às vítimas do nazismo.

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A pesquisa, encomendada pela associação judaica Jewish Claims Conference, foi divulgada em meio a um antissemitismo crescente, com movimentos de extrema direita ganhando apoio na Europa, inclusive na Áustria, que tradicionalmente minimiza o próprio papel no Holocausto e onde um partido populista de direita faz parte da coalizão de governo.

A pesquisa enfocou o conhecimento e a conscientização sobre o Holocausto, o papel da Áustria e sua anexação pela Alemanha nazista, bem como opiniões sobre o neonazismo e o antissemitismo e a educação sobre o Holocausto nas escolas.

O levantamento ouviu mil austríacos com mais de 18 anos entre os dias 22 de fevereiro e 1º de março de 2019.

Dos entrevistados, 87% disseram que, com certeza, já viram ou ouviram a palavra Holocausto, e 58% disseram que o Holocausto se refere ao extermínio do povo judeu.

Segundo 69%, o Holocausto ocorreu na Alemanha, e 62% identificaram a Áustria anexada e 48%, também a Polônia ocupada pelos nazistas como lugares onde o Holocausto ocorreu.

Mais da metade dos consultados (56%) não sabia que 6 milhões de judeus foram mortos no Holocausto, e 10% disseram que cerca de 100 mil judeus foram mortos.

Dos entrevistados, 98% disseram estar familiarizados com o nome de Adolf Hitler, o chanceler da Alemanha nazista, mas apenas 51% disseram conhecer Adolf Eichmann, um austríaco que foi um dos principais organizadores do Holocausto.

E 21% não sabiam que Hitler nasceu na Áustria. Apenas 14% sabiam que Eichmann era austríaco.

O presidente da Jewish Claims Conference, Greg Schneider, disse à agência de notícias AP que resultados semelhantes são registrados em outros países, mas que o caso da Áustria chama a atenção por se tratar de um país onde o Holocausto ocorreu.

O principal campo de concentração nazista na Áustria ficava em Mauthausen, perto de Linz, mas 42% dos entrevistados disseram nunca terem ouvido falar nele.

Anexada pela Alemanha nazista em 1938, a Áustria foi vista como a "primeira vítima" dos nazistas logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O rótulo foi usado até o fim do século 20, o que certamente dificultou a conscientização sobre o Holocausto no país.

Na pesquisa, 13% dos entrevistados disseram enxergar a Áustria apenas como perpetradora do Holocausto, 12% somente como vítima, e 68% disseram que o país foi tanto vítima como perpetrador.

O chefe do escritório de Jerusalém do Simon Wiesenthal Center, Efraim Zuroff, chamou a atenção para esses números, também em declarações à AP. "Diante do fato de que cerca de um terço dos criminosos mais culpados eram austríacos, isso diz muito sobre a distorção em relação ao Holocausto na Áustria e a relutância em assumir qualquer responsabilidade."

Já Richelle Budd Caplan, diretora do Departamento Europeu da Escola Internacional para Estudos do Holocausto do memorial Yad Vashem, disse ver aspectos positivos e negativos nos resultados do levantamento.

"Isso indica que houve um progresso e que os austríacos não se veem mais apenas como a 'primeira vítima'. Há 25 anos, essa teria sido a opinião pública dominante", disse Budd Caplan. "Por outro lado, ainda há muito por fazer para perceber as, digamos assim, boas-vindas da Áustria à Alemanha nazista em 1938 como um fato histórico."

Desde 1999, o Yad Vashem trabalha com autoridades educacionais austríacas para treinar professores na educação sobre o Holocausto.

Para Budd Caplan, a pesquisa ajuda a apontar áreas onde há falta de conhecimento, algo de que os educadores precisam estar cientes para enfrentar os desafios futuros. Ela ressaltou a importância de as gerações mais jovens expandir seu "conhecimento superficial" do Holocausto para aprender sobre a complexa situação que permitiu que ele ocorresse.

"É muito consistente essa percepção de que Adolf Hitler é o único responsável", disse. Embora afirme ser indiscutível o fato de que o líder nazista desempenhou um papel fundamental, ela indaga: "E o que dizer sobre a colaboração que continua? E sobre as partes da sociedade que estavam envolvidas?"

Ela disse que fazer com que os alunos entendam essas relações mais complexas, assim como aumentar sua familiaridade com outras figuras-chave do Holocausto, como Eichmann, é um desafio-chave para os educadores de hoje.

Budd Caplan vê positivamente o fato de os entrevistados acreditarem que mais esforços devem ser feitos para ensinar os estudantes sobre o Holocausto. Dos participantes, 76% disseram que a educação sobre o Holocausto deveria ser obrigatória nas escolas.

Cerca de 31% dos entrevistados disseram que algo como o Holocausto poderia acontecer na Áustria, e 58% disseram ver tal risco novamente em algum lugar da Europa.

Ao mesmo tempo, três em cada quatro entrevistados disseram ser importante continuar ensinando as pessoas sobre o Holocausto para impedir que algo assim se repita.

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