Minas Gerais tem 71% das cidades em alerta ou risco por dengue, chikungunya e zika
Aumento da presença de larvas do mosquito Aedes aegypti em território mineiro acende sinal de alerta para a população reforçar cuidados domésticos
O cenário epidemiológico em Minas Gerais exige atenção redobrada dos moradores neste primeiro trimestre de 2026. Dados recentes revelam que pelo menos 606 municípios mineiros estão em situação de alerta ou de risco devido à dengue, chikungunya e zika. Esse número é expressivo, pois corresponde a 71% do total de cidades do estado, conforme aponta o primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) deste ano. A pesquisa foi conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e serve como um termômetro crucial para as ações de controle de zoonoses.
De acordo com as autoridades de saúde estaduais, o estudo considera a presença de larvas do mosquito transmissor e indica um "cenário dentro do esperado" para o período sazonal, que compreende os meses de outubro a maio. Ao todo, 819 dos 853 municípios mineiros participaram voluntariamente do levantamento. Entre as cidades monitoradas, 213 apresentaram índice satisfatório, com infestação menor ou igual a 0,99%. No entanto, 422 municípios ficaram em situação de alerta e outros 184 foram classificados em situação de risco crítico.
Monitoramento aponta criadouros dentro das residências mineiras
A metodologia do levantamento é feita por amostragem e ocorre quatro vezes ao ano para garantir a precisão dos dados geográficos. Equipes de saúde realizam visitas em casas sorteadas em diferentes regiões, onde buscam focos de água parada e coletam amostras para análise laboratorial. O índice de infestação é calculado a partir dessas informações coletadas diretamente no campo. Segundo o LIRAa, os principais criadouros do mosquito estão localizados dentro ou ao redor das próprias casas, o que reforça a necessidade de mobilização social imediata.
Os recipientes mais comuns encontrados com larvas incluem caixas d'água destampadas, vasos de plantas, pneus e objetos descartados em quintais ou terrenos baldios. Para reverter esse quadro e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde, o Ministério da Saúde recomenda uma inspeção semanal rigorosa. É fundamental garantir que reservatórios de água estejam devidamente tampados e que as calhas sejam limpas para evitar o acúmulo de folhas e água da chuva.
Dicas essenciais para eliminar os focos do mosquito transmissor
A prevenção envolve atitudes simples que interrompem o ciclo de reprodução do inseto. O cidadão deve guardar garrafas sempre com a boca virada para baixo e realizar a limpeza periódica de ralos e canaletas. Outro ponto de atenção muitas vezes esquecido são as bandejas de ar-condicionado e geladeiras, que acumulam água limpa e parada. As bordas de qualquer recipiente que armazene líquido devem ser lavadas com sabão e escova para remover ovos que ficam aderidos à superfície por longos períodos.
Em jardins, o uso de areia nos pratos de vasos de plantas é uma estratégia eficaz, assim como a limpeza de plantas que acumulam água, como as bromélias. Objetos sem uso, como tampas de garrafa, brinquedos e folhas secas, devem ser descartados corretamente. Caso encontre larvas, a recomendação é jogá-las na terra ou no chão seco. Se não for possível eliminar o recipiente, o uso de produtos de limpeza como detergente e cloro é indicado, desde que a água não seja para consumo. O apoio do agente de saúde para aplicação de larvicida também é uma ferramenta fundamental no combate às arboviroses.
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