Max Mara exibe em desfile de inverno sua elegância atemporal
Diretor criativo Ian Griffiths diz, em entrevista exclusiva ao Estadão, que a mulher que veste a marca tem "idade indefinida"
A música toca, os participantes rodam e, quando ela para, cada um está em um novo lugar. No mercado de moda contemporânea a dinâmica de trocas entre marcas e diretores criativos acontece de forma tão frequente que é comum entre os entendidos do meio o apelido de "dança das cadeiras". Uma longeva e bem-sucedida grife italiana, no entanto, se orgulha, com razão, de não participar dessa chamada dança: a Max Mara, que tem como diretor criativo Ian Griffiths, um inglês que já acumula cerca de 36 anos de casa.
Griffiths é, segundo o portal internacional WWD - um dos mais respeitados da indústria -, o diretor mais longevo a comanda a área criativa de uma marca de moda. A Max Mara foi fundada em 1951, na cidade italiana de Reggio Emilia e, durante os anos de comando criativo de Griffiths se transformou em uma grande potência do mercado, presente em mais de 2.500 lojas espalhadas por 105 países do mundo. Na quinta-feira, 23, em Milão, uma nova coleção, que reforça ainda mais a herança e também a constante evolução da Max Mara, desfilou durante a semana de moda.
A marca, que ficou mundialmente conhecida pelos seus luxuosos casacos invernais, principalmente no tom camelo, atualmente trabalha com o mote "mais que um casaco, um Max Mara" e desfilou, nesta semana, uma coleção repleta de peças pautas pela elegância atemporal - que se encaixa em diferentes idades, tipos de corpos e cultura.
RAÍZES. Com silhuetas lânguidas e escolhas de design que trazem o frescor dos tempos atuais, Griffiths mostrou na passarela que a Max Mara de 2023 segue acreditando em suas raízes, não deixa de lado suas consumidoras fiéis, ao mesmo tempo que se conecta com os desejos do tempo presente, os de uma geração ávida por novidades a cada estação.
"A mulher Max Mara é uma mulher de idade indefinida. Ela pode ter 30 anos ou pode ter 80. É definida por sua determinação, seu espírito e sua elegância. O que vale é uma questão da mentalidade da mulher", conta o diretor criativo em entrevista exclusiva ao Estadão logo após o desfile. "Odiaria que uma mulher parasse de se sentir representada pela Max Mara. Eu penso muito na minha mãe, que consome Max Mara há décadas, o que eu diria pra ela? Eu não posso fazer isso com ela e não poderia fazer com a cliente que tem sido fiel desde me juntei à marca em 1987?, continua.
Griffths define a saia como "a peça da temporada", pautada por uma sensualidade discreta, em um jogo de mostra-e-esconde volumes. As calças também têm essa característica de movimento e amplitude das formas. Os casacos, por sua vez, grandes carros-chefe da marca, chegam com linhas mais limpas em uma cartela de cores mais sóbrias de pretos e marrons que se iluminam pontualmente, com versões pouco saturadas de rosa e verde. O que transforma e atualiza as peças são os acessórios em coiso - pense em grandes cintos que chamam a atenção e desenham a forma feminina ou então em alças que propõem uma nova forma de usar os casacos da marca nos ombros.
Sejam esses seus famosos Teddy Coats, modelos com textura felpuda que foram introduzidos no mercado de moda nos anos 1980 pela marca, que, desde então, vêm sendo copiados à exaustão ao redor do mundo, ou então os icônicos modelos mais puristas. "É uma grande honra desenhar para a Max Mara, sinto que uma das razões pelas quais nossas coleções têm sido um sucesso é que, antes de eu me torna diretor criativo, tive anos e anos para entender quem é essa mulher", explica ainda Ian Griffiths.
"Um dos pontos fortes da Max Mara é que reconhecemos quem somos. Contamos nossa história e nosso ponto de vista. A Max Mara é uma narrativa e a cada temporada contamos um novo capítulo. Acho que o importante é ser coerente com sua mensagem e continuar contando essa história sem perder a linha de pensamento", conclui Griffiths, que mais uma vez apresentou uma coleção inspiradora, absolutamente desejável e com grandes promessas de se tornar mais um hit na sua história.