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Manifestantes invadem sede do Legislativo em Hong Kong

1 jul 2019
08h17
atualizado às 16h23
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Grupo bloqueia ruas, derruba barreiras e ocupa por três horas prédio parlamentar em ato pró-democracia. Confrontos com forças de segurança deixam feridos. Protesto marca aniversário do retorno de Hong Kong à China.Um grupo de centenas de manifestantes invadiu a sede do Conselho Legislativo de Hong Kong nesta segunda-feira (01/07), em manifestações que coincidem com o 22º aniversário do retorno da então colônia britânica ao governo chinês, ocorrido em 1º de julho de 1997.

Manifestantes dentro da sede do Legislativo de Hong Kong
Manifestantes dentro da sede do Legislativo de Hong Kong
Foto: DW / Deutsche Welle

Com guarda-chuvas em mãos, um grupo de manifestantes usou barras de ferro e um carrinho de metal para derrubar barreiras, quebrar janelas e romper as portas de vidro do prédio do Conselho Legislativo. A polícia local reagiu com disparos de spray de pimenta e golpes de cassetete contra alguns dos manifestantes.

O incidente ocorreu enquanto milhares de moradores de Hong Kong voltaram a bloquear as vias nos arredores do complexo governamental da região semiautônoma.

Cerca de três horas após a ocupação da sede do Legislativo, pouco depois da meia-noite no horário local (13h em Brasília), os manifestantes deixaram o prédio em meio à confirmação de que as forças policiais se preparavam para entrar no edifício.

Pouco depois de sua saída, centenas de policiais empregaram gás lacrimogêneo para dissolver os grupos de manifestantes que permaneciam concentrados nas avenidas próximas à sede parlamentar.

O governo de Hong Kong acusou os ativistas de agirem com extrema violência. "Os manifestantes radicais entraram com força e extrema violência no complexo do Conselho Legislativo", diz um comunicado do governo, que descreveu a atuação dos manifestantes como "inaceitável pela sociedade".

As autoridades de saúde de Hong Kong informaram que trataram 54 pessoas feridas após os protestos, segundo o jornal South China Morning Post. Três pessoas estão em estado grave.

Os protestos no aniversário da devolução de Hong Kong à China fazem parte de uma grande onda de manifestações que vem atraindo milhares de pessoas às ruas, contra um projeto de lei que pretendia permitir extradições à China continental.

Em resposta aos movimentos, o governo local adiou o debate recentemente, mas os líderes do protesto exigem que o projeto de lei seja formalmente descartado e que a chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, renuncie ao cargo.

A marcha pró-democracia desta segunda-feira teve em seu roteiro o início no Parque Victoria, no bairro de Causeway Bay, e o fim nos arredores dos escritórios governamentais situados próximos ao centro financeiro da ilha. O aniversário de devolução ao governo chinês é feriado, portanto os mercados financeiros e a maioria das empresas estão fechados.

Nas primeiras horas do dia, pequenos grupos de manifestantes mascarados - a maioria deles jovens - assumiram o controle de três das principais ruas da cidade. Eles montaram barreiras de metal e plástico para bloquear as vias. Confrontos com a tropa de choque da polícia foram relatados nos distritos de Admiralty e Wanchai.

Os distúrbios matinais ocorreram pouco antes de uma cerimônia de hasteamento de bandeira do governo para o 22º aniversário do retorno da cidade ao domínio chinês. O evento foi conduzido por Lam, que havia sido vista em público pela última vez há mais de dez dias. Em seu discurso, ela fez uso de um tom conciliatório.

"O que aconteceu nos últimos meses causou conflitos e disputas entre o governo e os moradores", disse a líder pró-Pequim. "Isso me fez entender que, como política, eu preciso estar ciente e compreender com precisão os sentimentos das pessoas."

A celebração do aniversário de 1º de julho foi manchada pelo aumento da insatisfação entre muitos moradores sobre o que muitos veem como crescente interferência da China em Hong Kong e a consequente erosão das liberdades.

Na ex-colônia britânica rege o princípio de "um país, dois sistemas". A fórmula permite a liberdade de protestos e que a região semiautônoma tenha um Judiciário independente - duas questões que não são aceitas na China. Também por isso Hong Kong virou o destino de muitos dissidentes que deixaram a China continental para fugir da perseguição política.

No entanto, o projeto de lei apresentado em fevereiro abriria uma brecha para que pessoas acusadas de crimes em Hong Kong pudessem ser extraditadas à China continental - medida vista por diversos grupos civis como uma ameaça para as liberdades regentes em Hong Kong.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirmou que o Reino Unido não possui responsabilidade sobre Hong Kong e que Pequim desaprova que Londres advogue pelo território. O comentário foi emitido depois que o ministro do Exterior britânico, Jeremy Hunt, ter dito que o Reino Unido continuaria pressionando a China para que respeite os termos sob os quais Hong Kong foi entregue ao país.

PV/afp/rtr/ap

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