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Manifestantes desafiam repressão no Irã

1 jan 2018
18h55
atualizado em 2/1/2018 às 08h43
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Em meio a crise econômica, maior onda de protestos em quase uma década coloca regime sob pressão. Tensão cresce com pelo menos 500 detenções e 13 mortes no país.Em meio a uma escalada da violência, os protestos entraram nesta segunda-feira (01/01) em seu quinto dia no Irã, desafiando a repressão e o alerta do regime de que manifestantes serão confrontados com "mão de ferro" se seguirem adiante.

Desde seu início, na quinta-feira, pelo menos 12 manifestantes morreram em confrontos com as forças de segurança. Nesta segunda, a imprensa estatal noticiou a morte de um policial, na cidade de Najafabad, região central do país.

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A estrutura de poder no Irã

O clima é de tensão em Teerã, com grande presença das forças de segurança nas ruas. O amplo aparato é resposta aos protestos de domingo, quando manifestantes chegaram a investir contra delegacias e postos militares em várias cidades do país. Só na capital, mais de 200 pessoas foram detidas até agora. Em todo o país, foram cerca de 500 detenções.

Num país em que regime e governo não necessariamente falam a mesma língua e defendem as mesmas ideias, observadores ainda tentam decifrar a natureza das manifestações, que pegaram de surpresa os líderes iranianos.

Os protestos são considerados os maiores desde a a revolta de 2009, quando uma série de manifestações tomou as ruas do país contra supostas fraudes eleitorais a favor do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, logo se tornando um movimento de maior escala de contestação ao regime dos aiatolás.

Desta vez, os protestos tiveram inicialmente a inflação e o desemprego como alvo, mas logo ganharam tom político, com críticas ao presidente Hassan Rohani e ao líder supremo, Ali Khamenei. Não está claro, porém, se as manifestações, que acontecem por todo o país, tem uma reivindicação uníssona.

O Irã bloqueou o acesso a mídias sociais como o Instagram e a ferramentes como o Telegram no domingo, mas insistiu que foi uma medida temporária. Em contraste com protestos anteriores, o governo adotou um tom mais conciliatório desta vez - ao menos em relação a determinados grupos de manifestantes - vendo como legítimas algumas reivindicações no campo econômico.

"Os problemas do povo não são simplesmente econômicos: eles também querem mais liberdades", afirmou a parlamentares Rohani, que reclamou que a ala linha-dura do regime o impede de levar as reformas econômicas que planeja. "Este governo não tem tudo sobre seu controle"

Rohani assumiu para um segundo mandato em agosto, com promessas de revitalizar a economia, minada por sanções internacionais. Os investimentos estrangeiros estão em alta, mas o país continua a sobreviver, sobretudo, da venda de petróleo.

O desemprego entre jovens atingiu recentemente a marca de 40%. Muitas das sanções internacionais foram revogadas com o acordo nuclear de 2015, mas medidas unilaterais americanas contra transações financeiras com o Irã continuam a minar a economia e impedem a maioria dos bancos ocidentais de conceder crédito a iranianos.

O governo da Alemanha pressionou o Irã a respeitar o direito à manifestação pacífica e expressou preocupação com o número de mortos registrado nos protestos.

"Estou consternado com o desenvolvimento dos eventos no Irã e as informações sobre as vítimas", declarou em comunicado o ministro do Exterior e vice-chanceler alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel.

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu repetidas vezes apoio aos manifestantes no Irã - segundo ele um "grande povo reprimido durante muitos anos". O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou os manifestantes de bravos e heroicos e desejou que tenham "sucesso na nobre busca pela liberdade".

Em sessão extraordinária, o Parlamento do Irã acusou Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita de fomentarem os distúrbios gerados nas manifestações. O presidente Rohani, porém, afirmou que seria um erro ver os protestos como uma conspiração estrangeira.

RPR/ap/rtr/ots

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

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