Laser de alta intensidade auxilia no controle da dor
O ortopedista Gabriel Ferraz Ferreira explica como a terapia com laser de alta intensidade atua sobre a dor em quadros como lombalgia, cervicalgia, tendinopatias e osteoartrite de joelho, e detalha os mecanismos, os critérios de indicação e o nível atual de evidência científica sobre a técnica.
A terapia com laser de alta intensidade (HILT) ganha destaque no controle de dores musculoesqueléticas, como lombalgia e osteoartrite. Ao estimular a regeneração celular e a circulação, a tecnologia gera efeitos analgésicos e anti-inflamatórios não invasivos. Especialistas enfatizam que o método é um recurso complementar aos tratamentos convencionais, e não um substituto. Embora promissor, o procedimento exige avaliação médica individualizada e é contraindicado sobre tecidos tumorais.
A dor lombar figura como a principal causa de incapacidade no mundo e atingiu cerca de 619 milhões de pessoas em 2020, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante da alta prevalência de queixas musculoesqueléticas, cresce o interesse por recursos capazes de auxiliar no controle da dor, entre eles a terapia com laser de alta intensidade, conhecida pela sigla HILT (High Intensity Laser Therapy), empregada como apoio a diferentes fases do tratamento ortopédico.
De acordo com o Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira, ortopedista e pós-graduado em medicina regenerativa, a tecnologia combina efeitos fototérmicos, fotoquímicos e fotobiológicos. No nível celular, a energia luminosa é absorvida por estruturas das mitocôndrias, o que estimula a produção de trifosfato de adenosina (ATP) e favorece a proliferação e a migração das células. O especialista detalha que, no modo contínuo, o leve aumento da temperatura do tecido eleva a permeabilidade dos vasos e o fluxo sanguíneo local, condição que otimiza a microcirculação.
"No modo pulsado ocorre a inibição de estímulos ligados à dor com baixa geração de calor, processo associado à liberação de opióides produzidos pelo próprio organismo e à diminuição de substâncias inflamatórias. O conjunto desses mecanismos resulta em efeito analgésico e anti-inflamatório, característica que sustenta o uso da técnica no manejo de quadros dolorosos", explica.
Entre as condições com maior respaldo científico, Gabriel Ferraz cita a lombalgia e a cervicalgia, com estudos que apontam redução da dor e da incapacidade. Existe sustentação também para capsulite adesiva, popularmente chamada de ombro congelado, osteoartrite de joelho, tendinopatias e síndrome miofascial.
Mesmo assim, o ortopedista pondera que a certeza da evidência nessas áreas permanece predominantemente baixa a moderada. Uma revisão sistemática com metanálise em rede sobre distúrbios musculoesqueléticos indicou que a confiança nos achados segue limitada, em razão da heterogeneidade metodológica entre os estudos.
Esse cenário orienta o posicionamento clínico da terapia. "O HILT deve ser compreendido como um recurso complementar, e não como substituto de cirurgia, fisioterapia ou tratamento farmacológico", afirma Gabriel Ferraz Ferreira.
O médico acrescenta que a técnica se integra a planos terapêuticos mais amplos, com contribuição voltada ao controle da dor e ao suporte da recuperação funcional em diferentes etapas, inclusive no período pós-operatório, no qual atua como coadjuvante. Para essa etapa, contudo, o profissional pondera que os dados ainda carecem de robustez, o que desaconselha qualquer promessa de resultado garantido.
Critérios de indicação e limitações
A escolha dos pacientes considera o quadro clínico, a condição musculoesquelética específica e a ausência de contraindicações. "Pessoas com lombalgia, cervicalgia, tendinopatias, capsulite adesiva ou osteoartrite de joelho tendem a figurar entre os candidatos, sempre a partir de avaliação individualizada do histórico e da adequação ao plano de tratamento global", assinala o médico.
Sobre as restrições, o ortopedista aponta que a principal contraindicação é a aplicação direta sobre tecido com suspeita ou confirmação de câncer, uma vez que dados pré-clínicos sugerem que doses elevadas de fototerapia poderiam estimular a proliferação de células tumorais.
"Cautela é recomendada também na gestação, quando a região abdominal ou lombar estaria envolvida, e em áreas com comprometimento sensitivo ou circulatório grave. A literatura ainda reúne protocolos variados, o que torna necessária a realização de novas pesquisas, sobretudo para indicações específicas, como o uso após procedimentos cirúrgicos", informa.
Entre as características identificadas, a técnica é descrita como não invasiva e, em geral, bem tolerada, com perfil de segurança favorável na maioria dos estudos disponíveis. A tecnologia permite penetração mais profunda no tecido, condição que amplia as possibilidades de aplicação em distintas fases da reabilitação musculoesquelética. "A terapia deve sempre ser prescrita e acompanhada por profissional habilitado, dentro de um plano de tratamento individualizado", conclui o Dr. Gabriel Ferraz Ferreira.
Para mais informações, basta acessar: https://drgabrielferraz.com.br/laser
Website: https://drgabrielferraz.com.br/laser
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