Itapeva registra mais de 2,6 mil casos de gastroenterite e investiga contaminação da água
Com mais de 2,6 mil casos de gastroenterite em 20 dias, Itapeva (SP) investiga suspeita de contaminação da água após a detecção de Cryptosporidium em amostras locais e de E. coli em pacientes. O surto causou a suspensão das aulas, abertura de inquérito e envio emergencial de água potável e hipoclorito. Apesar de a Sabesp relatar laudos anteriores normais, novas análises estão em andamento, e as autoridades recomendam ferver a água antes do consumo enquanto a causa real é apurada.
Itapeva, no interior de São Paulo, enfrenta um surto de gastroenterite que mobilizou autoridades municipais e estaduais. A situação levou à suspensão das aulas nas redes de ensino e à adoção de medidas preventivas, enquanto órgãos de saúde investigam as possíveis causas do aumento de casos.
Nos últimos 20 dias, o município registrou mais de 2,6 mil casos da doença. A investigação ganhou um novo desdobramento após análises do Instituto Adolfo Lutz identificarem o protozoário Cryptosporidium em duas amostras de água coletadas na cidade. O material foi recolhido em 19 de outubro, em uma praça da região central.
Além disso, exames clínicos de pacientes identificaram a bactéria Escherichia coli enteroagregativa, também associada a infecções intestinais. Os dois microrganismos podem provocar diarreia e outros sintomas gastrointestinais. Até o momento, porém, não há confirmação de que a água distribuída à população seja a responsável pelo surto.
Como medida preventiva, as aulas das redes municipal e estadual foram suspensas na quinta-feira (29). A Câmara Municipal também abriu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), com prazo de 90 dias, para investigar a qualidade da água e possíveis falhas no abastecimento.
A Sabesp informou que 227 amostras coletadas entre 1º e 27 de outubro apresentaram resultados dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação. Após receber os resultados do Instituto Adolfo Lutz, a companhia anunciou novas análises, ampliação do monitoramento da rede e procedimentos para renovar a água nas tubulações.
Na manhã de sexta-feira (30), caminhões da Sabesp com água potável começaram a chegar ao município. O abastecimento emergencial deve atender unidades de saúde, escolas e outros pontos prioritários indicados pela prefeitura.
O governo estadual também informou o envio de mais de 40 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para distribuição aos moradores. A orientação da prefeitura é ferver a água por pelo menos cinco minutos antes de utilizá-la no preparo de alimentos ou na escovação dos dentes.
A gastroenterite pode causar diarreia, vômitos, náuseas, cólicas e febre. As autoridades recomendam atenção aos sinais de desidratação, como boca seca, pouca urina e sonolência, além de atendimento médico em caso de febre persistente ou sangue nas fezes. A investigação sobre a origem do surto e as condições do abastecimento continua.
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