Inteligência artificial identifica um novo buraco antes dele existir
Tecnologia testada no estado de Victoria, na Austrália, quer antecipar reparos nas estradas e evitar acidentes e danos aos veículos
Pesquisadores australianos desenvolveram uma van equipada com inteligência artificial capaz de detectar buracos e deformações no asfalto antes que piorem. Em testes, o veículo identificou 300 falhas em dois meses, cruzando imagens e dados de movimentação para otimizar os reparos preventivos em Victoria. A iniciativa busca conter a deterioração da malha viária, um problema que também afeta 64,4% das rodovias públicas do Brasil, elevando os custos do setor de transporte. O projeto seguirá até 2027.
Uma van equipada com inteligência artificial (IA) está percorrendo estradas do estado de Victoria, na Austrália, para identificar buracos e outros defeitos no asfalto antes que eles piorem. Desenvolvida pela Universidade RMIT em parceria com a empresa de assistência rodoviária RACV, a tecnologia identificou cerca de 300 problemas em dois meses de testes.
O veículo combina inteligência artificial, imagens das câmeras, dados de movimentação e informações de localização para identificar possíveis defeitos no asfalto, como rachaduras, deformações na pista e buracos em formação. Os dados ajudam os responsáveis pela manutenção a localizar os trechos que precisam de atenção.
Os cerca de 300 registros dos dois primeiros meses não são todos buracos. O levantamento inclui outros tipos de deterioração do pavimento.
O motorista da RACV responsável pelo veículo, Mark Orlando, explicou ao Drive que alguns problemas são difíceis de perceber ao volante, principalmente à noite, na chuva ou em estradas desconhecidas. Segundo ele, identificar essas condições com antecedência pode melhorar a segurança e reduzir os danos aos veículos.
Estradas de Victoria estão piorando, diz auditoria
O projeto surge em meio a críticas às condições das rodovias do estado. Uma auditoria recente do Victorian Auditor-General's Office, órgão de fiscalização de Victoria, concluiu que o pavimento das rodovias administradas pelo governo está piorando. Segundo o levantamento, os serviços de manutenção acumulados crescem mais rápido do que os reparos, e os recursos disponíveis não dão conta da demanda.
O tema entrou no debate político local, às vésperas das eleições estaduais de novembro de 2026. Os pesquisadores esperam que a tecnologia ajude a apontar os trechos mais comprometidos e a planejar reparos antes que os defeitos aumentem.
No Brasil, pavimento ruim encarece o transporte
O problema também é conhecido de quem roda pelas estradas brasileiras. Segundo a edição mais recente da Pesquisa CNT de Rodovias, que avaliou mais de 114 mil quilômetros, 64,4% das rodovias sob gestão pública apresentam algum problema no pavimento. Nessas estradas, as condições do asfalto podem elevar os custos operacionais do transporte em até 35,8%.
Nas rodovias concedidas à iniciativa privada, o percentual de trechos com irregularidades no pavimento cai para 34,4%.
Tecnologia pode ser ampliada
O projeto australiano é financiado por um programa federal de segurança rodoviária e deve seguir em testes até janeiro de 2027. A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, o sistema seja instalado em outros veículos que circulam regularmente pelas estradas do país.
Por enquanto, não há resultados sobre redução de acidentes, economia com manutenção ou diminuição do número de buracos. O teste mostra a capacidade de identificar defeitos, mas ainda falta avaliar como essas informações podem acelerar os reparos.
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