Indústria alemã perde 15 mil empregos por mês, diz entidade
De acordo com Federação das Indústrias Alemãs (BDI), país está perdendo competitividade, mas situação ainda é reversível. Cerca de um quinto dos empregos do país estão no setor, que vive crise.A indústria alemã está perdendo 15 mil empregos por mês, uma situação "crítica, mas nem tudo está perdido, afirmou neste sábado (25/7) a diretora-geral da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Tanja Gönner.
Segundo ela, fragilidades estruturais, aliadas às tarifas praticadas pelo governo dos Estados Unidos e à competitividade chinesa, colocaram a Alemanha, até então uma potência industrial voltada à exportação, na situação atual.
"A Alemanha perdeu terreno em termos de competitividade", afirmou Gönner à agência de notícias dpa. Segundo a ex-deputada do partido conservador CDU, por causa disso, toda decisão política na Alemanha e na Europa deveria ser avaliada por meio de um teste simples: "Isso contribui para a competitividade? Isso ajuda as empresas a se tornarem mais competitivas novamente?", argumentou.
Esses desafios surgiram em um momento "em que realmente deveríamos estar indo à academia para perder o excesso de peso que ganhamos nos últimos anos", pontuou a chefe do BDI, que representa cerca de 100 mil empresas com mais de 8 milhões de trabalhadores no total.
Apesar da situação, há oportunidades para se reverter a situação, complementou a dirigente. "Estou convencida de que, se fizermos nosso dever de casa, teremos todas as oportunidades novamente. A inovação tem sido, há muito tempo, uma das principais prioridades para muitas empresas", acrescentou. Gönner afirmou que investir em novas tecnologias, como a inteligência artificial, é fundamental.
País vive crise no setor
Cerca de um quinto dos empregos na Alemanha estão ligados ao setor industrial que, durante décadas, prosperou com exportações de automóveis, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos. Desde 2019, no entanto, as empresas alemãs vêm perdendo competitividade global, principalmente para a Ásia - em especial, a China.
A indústria emprega atualmente 6,6 milhões de pessoas, mas sua participação no total de vagas de trabalho no país caiu de 22% em 2014 para 19% em 2024, segundo o estudo encomendado pela Fundação Bertelsmann ao instituto econômico IW.
De acordo com o setor, a posição competitiva da Alemanha na economia global vive o pior momento desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A crise impacta principalmente as montadoras de veículos, que vêm realizando cortes.
A Volkswagen anunciou recentemente um plano para cortar 50 mil postos de emprego da empresa até 2030. No entanto, reportagens publicados recentemente pela imprensa alemã apontam que esse número poderá ser ampliado para 100 mil.
Além dos cortes massivos de cerca de 15% de todas as vagas em nível global, a VW estaria sendo planejado o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e o desmembramento da marca.
No entanto, as dificuldades não se limitam ao setor automotivo. Depois de mais de 100 mil empregos industriais perdidos no ano passado, outros 100 mil postos de trabalho poderão ser cortados no setor industrial ao longo de 2026, de acordo com um estudo da empresa de consultoria Horvath. As reduções são esperadas não apenas na montagem de veículos, mas também na engenharia mecânica e na construção civil.
Economia patina em cenário de dificuldades
As perspectivas de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha também não são animadoras. O cenário ficou ainda mais complicado após a eclosão da guerra de Estados Unidos e Israel com o Irã, que vem pressionando os preços no setor de energia devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo de todo o mundo.
Em abril, três meses após projetar um avanço de 1% para seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 em janeiro, o governo alemão revisou os dados e cortou a estimativa pela metade, prevendo um crescimento de 0,5% até o fim do ano.
O choque energético também levou o governo da Alemanha a reduzir a expectativa de crescimento de 2027 para 0,9%, ante 1,3% calculado anteriormente.
fcl (DW, dpa, ots)
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