História e nostalgia: revisite os cinco primeiros caminhões fabricados em terras brasileiras
Produção nacional de caminhões completou 77 anos desde que o primeiro modelo FNM saiu da linha de montagem. Vamos conhecer os cinco primeiros
Sexto maior mercado global do setor, o Brasil iniciou sua produção nacional de caminhões com cinco modelos históricos: o pioneiro FNM D7300 (1949), o Mercedes-Benz L-312 "Torpedo" (1956), o potente Ford F-600 a gasolina (1957), o emblemático Chevrolet C6500 "Brasil" (1957/1958) e o inovador Scania-Vabis L75 "João de Barro" (1958). Esses veículos septuagenários impulsionaram o desenvolvimento econômico do país e consolidaram a tradição e a evolução da indústria automotiva brasileira.
Os clássicos FNM, produzidos pela estatal Fábrica Nacional de Motores no Rio de Janeiro, foram os primeiros caminhões produzidos no Brasil, sob licença, primeiro da empresa italiana Isotta Fraschini e, depois, Alfa Romeo, em uma história que começou em 1949.
De lá para cá, a indústria brasileira de caminhões evoluiu, ganhou identidade própria e acompanhou a evolução da engenharia automotiva, oferecendo aos transportadores de nosso país uma gama extensa de produtos de qualidade para as mais diferentes aplicações.
Hoje, o Brasil figura como o sexto maior mercado mundial de caminhões e as fábricas por aqui instaladas funcionam como importantes centros globais de produção, alimentando diversas regiões em redor do globo.
Nestes 77 anos de história e evolução, chegou o momento de revisitarmos os cinco primeiros modelos de caminhão fabricados no Brasil:
1 - FNM D7300 - "Fenemê" (1949)
Considerado um clássico, o modelo atrai fãs e gera nostalgia no segmento de caminhões. O F7300 foi o primeiro modelo fabricado no Brasil, em 1949, pela Fábrica Nacional de Motores, empresa estatal, em Xerém, na cidade de Duque de Caxias (RJ).
O caminhão é um projeto da italiana Isotta Fraschini (depois Alfa Romeo) e tinha motor diesel de seis cilindros de 7,3 litros com 100 cavalos de potência. A transmissão era manual de cinco marchas não sincronizadas.
O modelo teve cerca de 200 unidades produzidas e deu origem a uma linha completa de caminhões FNM. Sua capacidade de carga era de 7,5 toneladas.
2 - Mercedes-Benz L-312 - "Torpedo" (1956)
Há exatos 70 anos a Mercedes-Benz inaugurava sua maior fábrica fora da Alemanha, em São Bernardo do Campo (SP), dando origem à tradição automotiva da região do ABC Paulista.
O primeiro caminhão a sair desta nova linha de produção foi o L-312, apelidado pelos brasileiros de "Torpedo" por causa do formato alongado de seu capô.
O veículo era equipado com o motor Mercedes OM 312 a diesel com seis cilindros e injeção indireta com antecâmara de combustão que desenvolvia uma potência de 100 cavalos. Sua transmissão também era manual com marchas não sincronizadas de cinco velocidades e havia uma opção luxuosa com câmbio sincronizado de cinco marchas. Não existem registros sobre quantas unidades deste modelo foram feitas no Brasil.
3 - Ford F-600 (1957)
A Ford foi a grande pioneira na montagem de caminhões no Brasil, com a produção em sistema CKD do Caminhão TT em 1925. Mas, como estamos falando em fabricação nacional, o posto de terceiro mais antigo fica com o F-600, que tinha índice de nacionalização de 40%.
O caminhão tinha motor V8 a gasolina de 4,5 litros com 161 cavalos, o mais potente de sua época, com capacidade de carga de 6,5 toneladas e transmissão manual de 4 marchas com duas reduzidas de comando elétrico, uma inovação para aquele tempo.
Segundo registros de colecionadores e historiadores automotivos, o Ford F-600 fabricado no Brasil teve cerca de 500 unidades produzidas.
4 - Chevrolet C6500 - "Chevrolet Brasil" (1957/1958)
Outro caminhão americano movido a gasolina ocupa a quarta colocação e nossa lista. O modelo, fabricado pela Chevrolet em São Caetano do Sul (SP), ficou popularmente conhecido como "Chevrolet Brasil" e marcou o início da produção dos comerciais da GM naquela planta.
O caminhão tinha câmbio manual de 4 ou cinco marchas, dependendo da versão, e motor Jobmaster 261 de seis cilindros em linha e 4,3 litros que desenvolvia uma potência de 142 cavalos, com 32 kgfm de torque.
O modelo entrou para a história como um dos caminhões mais ligados ao desenvolvimento brasileiro e, entre 1957 e 1963 a Chevrolet produziu mais de 73 mil unidades de diferentes modelos em São Caetano.
5 - Scania-Vabis L75 - "João de Barro" (1958)
O quinto da lista, completando os caminhões septuagenários do mercado brasileiro, é o Scania-Vabis L75, cavalo mecânico que ganhou o apelido carinhoso de "João de Barro" pelo formato de sua janela, que lembrava uma casa feita pela ave brasileira.
O caminhão foi produzido primeiramente pela Vemag, em São Paulo, mas depois entrou em fabricação em São Bernardo do Campo, com a inauguração da fábrica própria da Scania em 1962.
Seu motor era o Scania D-10 diesel de 4 tempos e injeção direta, com seis cilindros em linha e 10,3 litros com potência de 165 cavalos com torque máximo de 63 kgfm. O câmbio era um Scania G660 manual de cinco marchas sincronizadas (um luxo para a época) com caixa auxiliar de redução, totalizando 10 velocidades à frente.
Não há registros sobre o número de unidades do L75 fabricadas no Brasil.
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