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Irã mantém condições para reabertura do Estreito de Ormuz apesar de rejeição de Trump

O Irã afirmou neste domingo (27) que mantém suas exigências para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rejeitado um plano apresentado há dois dias pela República Islâmica.

27 set 2026 - 04h51
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Resumo
O Irã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim das hostilidades no Oriente Médio, à suspensão de sanções ao seu petróleo e à liberação de US$ 12 bilhões congelados. Donald Trump rejeitou categoricamente a proposta, alegando que Teerã está enfraquecida, e avalia retomar ataques militares contra o país após as eleições. Paralelamente, rebeldes houthis assumiram o controle do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, ampliando a crise energética global e a pressão sobre Washington.

"Nossas condições são claras, e qualquer avanço rumo à reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Não voltaremos atrás", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, citado pela televisão estatal. "Nunca fechamos a porta para a diplomacia nem para as negociações, mas, ao mesmo tempo, jamais abriremos mão dos nossos direitos", acrescentou.

O Irã anunciou na sexta-feira (25) que apresentou aos Estados Unidos uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias. Segundo o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, o plano foi elaborada "em coordenação" com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, autoridade máxima da República Islâmica. Além disso, foi criada uma equipe de seis integrantes, "com poder de decisão" para conduzir o processo.

No entanto, no sábado (26), Donald Trump foi categórico: "rejeito a proposta deles", declarou à imprensa na Casa Branca. Segundo ele, os líderes iranianos buscam esse acordo porque "estão perdendo feio". 

Horas antes de anunciar sua decisão, o presidente americano havia publicado na rede social Truth Social um mapa do Estreito de Ormuz acompanhado da legenda: "Estreito Trump".

Segundo o jornal Wall Street Journal, o líder republicano demonstra ceticismo quanto à capacidade de Teerã de atender às suas exigências. Citando fontes próximas ao governo, o diário revelou que Trump estaria cogitando retomar os ataques contra o Irã após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.

As forças americanas não realizam ataques contra o Irã desde 1º de setembro, quando uma série de bombardeios deixou ao menos cinco mortos e dezenas de feridos durante um casamento no sudeste do país. À medida que as eleições se aproximam, Trump enfrenta uma crescente insatisfação com a guerra no Oriente Médio, conflito que provocou uma forte alta nos preços dos combustíveis em todo o mundo.

Conteúdo do plano iraniano

A proposta iraniana prevê a interrupção de todas as hostilidades no Oriente Médio por sete dias, incluindo no Líbano, onde Israel mantém uma intensa ofensiva contra o grupo Hezbollah. O plano também contempla a liberação de ativos iranianos congelados, avaliados em pelo menos US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões), assim como a suspensão das sanções ao petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval americano imposto ao país. No sétimo dia de trégua, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz.

O texto também inclui o desbloqueio e a liberação de ativos iranianos congelados após a Revolução Islâmica de 1979. Além disso, a proposta exige a suspensão das sanções americanas contra o Irã, que sufocam a economia do país.

Em entrevista exclusiva à AFP na terça-feira (15), o porta-voz da Guarda Revolucionária, o poderoso exército ideológico da República Islâmica, Hossein Mohebi, também insistiu na necessidade de pôr fim aos combates no Iêmen. O país se tornou a nova frente regional do conflito desde a retomada, em julho, dos confrontos entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e o governo iemenita, respaldado pela Arábia Saudita.

Em setembro, os insurgentes lançaram uma ofensiva mortal que consolidou seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para as exportações de petróleo, ligando a Europa à Ásia por meio do Canal de Suez. A iniciativa visou principalmente os navios da Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto. 

De acordo com o jornal The New York Times, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pediu apoio militar aos Estados Unidos para combater os houthis. No entanto, até o momento, nenhuma ajuda foi anunciada da parte de Washington. 

Em discurso no sábado na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Fayçal bin Farhan, pediu a proteção da liberdade de navegação e criticou as "falhas" da comunidade internacional diante da situação. "A estabilidade dessa região vital está diretamente ligada à segurança energética mundial", lembrou.

RFI com AFP 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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