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Governo Trump propõe novo tarifaço de 25% contra produtos do Brasil

Processo aberto pela gestão republicana aponta supostas práticas comerciais injustas, mas poupa setores estratégicos como o agronegócio e a aviação

2 jun 2026 - 11h24
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Uma nova onda de tensão promete movimentar as relações comerciais e diplomáticas entre Brasília e Washington. O governo de Donald Trump concluiu uma investigação preliminar e propôs a aplicação de um novo tarifaço de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil. A análise foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que enxerga supostas práticas comerciais injustas por parte do mercado brasileiro. Apesar da forte recomendação do órgão, a palavra final sobre a aplicação efetiva ou não dessas sanções financeiras caberá exclusivamente ao presidente americano.

Donald Trump
Donald Trump
Foto: Andrew Harnik/Getty Images / Perfil Brasil

Posicionamento do Governo Trump

Por meio de um comunicado oficial, o USTR afirmou que propôs as medidas de resposta para consulta, enquanto os "Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas". A liderança do órgão reforçou que o processo busca corrigir problemas antigos que afetam a relação comercial entre as duas grandes economias da América.

O embaixador Jamieson Greer detalhou como os diálogos vinham sendo conduzidos até o momento atual: "Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas".

Assim, apesar dos encontros de alto nível, os dois países ainda enfrentam grandes barreiras para chegar a um consenso definitivo. "Continuam tendo divergências substanciais sobre a resolução dos temas identificados nesta investigação. Espero continuar o diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de medidas de resposta.", completou Greer.

Alimentos e aviação estão protegidos do imposto

Por outro lado, embora a proposta de taxação assuste o mercado, o documento norte-americano tratou de excluir uma ampla lista de produtos considerados essenciais para os próprios Estados Unidos. A intenção do governo estrangeiro é evitar que a medida provoque problemas de desabastecimento interno ou uma alta exagerada nos preços para os seus consumidores. Por causa disso, diversos alimentos e itens do agronegócio brasileiro foram poupados, tais como:

  • Carne bovina;

  • Castanha-do-pará e castanha de caju;

  • Frutas tropicais como banana, manga, mamão, abacaxi, coco, laranja e limão.

Outro grande destaque do relatório foi a blindagem completa dada para a indústria aeronáutica nacional. O texto deixou de fora aeronaves civis, motores, componentes, peças e simuladores de voo. Essa decisão preserva um dos setores mais engenhosos e integrados entre as duas economias. Da mesma forma, doações, materiais informativos e bagagens acompanhadas não sofrerão nenhum tipo de impacto com as novas taxas sugeridas.

As queixas americanas sobre o mercado brasileiro

O relatório final detalha uma série de reclamações acumuladas por Washington em diferentes frentes de negócios. No ambiente digital, os Estados Unidos afirmam que o Brasil impõe barreiras para empresas americanas de tecnologia por meio de decisões judiciais. Assim,  ordenam a remoção de conteúdos e a suspensão de perfis sob sigilo. Além disso, alegam que as políticas nacionais dão um tratamento preferencial para o sistema Pix e para empresas de pagamento eletrônico do país, prejudicando as bandeiras de cartão de crédito norte-americanas.

No campo da concorrência e da lei, o governo americano argumenta que o Brasil concede vantagens tarifárias para produtos da Índia e do México, sem oferecer o mesmo tratamento aos produtos dos Estados Unidos. A investigação também cita uma suposta falta de rigor das autoridades brasileiras no combate à pirataria e a crimes de suborno. Por fim, apontam uma demora excessiva na análise de patentes, afetando diretamente a indústria farmacêutica internacional.

Essa investigação começou originalmente em julho de 2025. Na época, Trump anunciou a medida como uma reação ao que ele classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, um grupo de trabalho bilateral havia sido montado para tentar alinhar as divergências em um prazo de 30 dias. Contudo, a divulgação da decisão aconteceu antes do término previsto, acelerando a necessidade de uma resposta diplomática por parte do governo brasileiro.

Perfil Brasil
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