Governo dos EUA enfrenta risco real de "shutdown" ainda esta semana
Governo dos EUA pode entrar em "shutdown" nesta semana por falta de acordo no Congresso; impactos incluem paralisação de serviços e demissões.
O governo dos Estados Unidos corre risco concreto de enfrentar um "shutdown" ainda nesta semana caso o Congresso não aprove o orçamento até terça-feira (30.set.2025), fechamento do ano fiscal. A paralisação ocorre pela falta de recursos para financiar as atividades públicas, afetando agências federais e funcionários "não essenciais" que podem ficar sem salário.
A origem desse mecanismo está na lei Anti Deficiência, de 1884, que impede gastos acima do autorizado sem autorização do Congresso. Anualmente, são necessárias 12 leis de dotação para financiar o governo, e o não consenso leva à paralisação dos setores sem verba aprovada.
O Presidente Donald Trump reconheceu publicamente o risco de paralisação, citando que o mercado também aposta nesse cenário. A Câmara aprovou a extensão dos gastos até novembro, mas o Senado precisa de uma maioria bipartidária para avançar, algo dificultado pelo conflito entre republicanos e democratas.
Republicanos, pressionados pelo ala conservadora, defendem cortes profundos em programas sociais para conter o déficit, enquanto democratas buscam manter investimentos em saúde, educação e infraestrutura para beneficiar milhões de famílias.
Sem acordo, a Casa Branca já orientou agências a se prepararem para demissões em massa e cortes mais severos do que nos "shutdowns" anteriores, evidenciando a gravidade do impasse.
O impacto imediato de um "shutdown" inclui:
- Redução temporária do crescimento do PIB;
- Atraso em serviços públicos e processos regulatórios;
- Licença não remunerada para servidores "não essenciais";
- Suspensão ou atraso de contratos governamentais;
- Aumento da percepção de risco político no país.
Nos mercados, a paralisação deve aumentar a volatilidade, impulsionar ativos de refúgio como Treasuries e ouro, e prejudicar setores dependentes de contratos federais.
Como alternativas, o Congresso pode aprovar o orçamento completo para o ano fiscal de 2026 (outubro de 2025 a setembro de 2026) ou uma medida temporária chamada "continuing resolution", que mantém os gastos nos níveis atuais até um acordo definitivo.
A pressão pelo consenso é exacerbada pelo calendário fiscal americano que termina em 30 de setembro, concentrando as negociações nesse período. A troca de acusações entre Trump e líderes democratas aumenta a instabilidade política e preocupação dos investidores.
Mesmo impactos de curto prazo podem ser significativos, especialmente se houver demissões em massa, colocando em xeque a governabilidade do país em meio a confrontos partidários intensos.