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Governo cogita alterar regras de títulos incentivados

Os setores imobiliário, de infraestrutura e do agronegócio são beneficiados com títulos com rentabilidade isenta de tributação.

14 out 2026 - 11h57
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Resumo
O governo federal avalia tributar títulos de renda fixa hoje isentos de IR para pessoas físicas, sob a justificativa de corrigir distorções de mercado. A medida visa papéis como CRIs, CRAs e debêntures incentivadas, cuja captação atingiu recordes recentes para financiar setores estratégicos. Especialistas do mercado alertam, contudo, que essa taxação pode desestimular investidores e restringir recursos cruciais para áreas como infraestrutura, construção civil, turismo e agronegócio.

O governo federal está analisando mudanças na tributação de títulos incentivados, atualmente isentos de Imposto de Renda para pessoa física, informou o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Leal afirmou que esses papéis provocam distorções que precisam ser enfrentadas para tornar o mercado de renda fixa mais eficiente, independentemente do resultado das próximas eleições.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / DINO

Os títulos incentivados são instrumentos de renda fixa emitidos por empresas para financiar projetos em setores estratégicos como energia, transporte, saneamento, telecomunicações, agronegócio e imobiliário. Em 2025, a captação de debêntures incentivadas atingiu R$ 177,97 bilhões, o maior volume anual desde o início da série histórica em 2018.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as aplicações em instrumentos com benefício fiscal - incluindo CRAs, CRIs, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas - cresceram 15,5 % em 2025, totalizando R$ 1,43 trilhão. Os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) registraram captação de R$ 49 bilhões no mesmo ano, reforçando o papel da securitização no financiamento da construção civil.

Em junho de 2025, o governo tentou, por meio de Medida Provisória, tributar os títulos isentos com alíquota de 5 % de IR e unificar as alíquotas dos demais em 17,5 %, substituindo a escala regressiva de 22,5 % a 15 % conforme o prazo de resgate. A MP não avançou no Congresso e perdeu validade.

Juliana Mello, sócia‑diretora da securitizadora Fortesec, observa que a demanda por CRIs, LCIs e debêntures incentivadas tem evoluído significativamente e ainda há amplo espaço para crescimento no Brasil, em comparação com mercados maduros, como os dos Estados Unidos e da Europa.

A Fortesec atua no turismo, estruturando financiamentos de projetos imobiliários voltados ao setor. Em 2025, turistas estrangeiros geraram recorde de US$ 7,865 bilhões para a economia brasileira, e entre janeiro e maio de 2026 os gastos chegaram a US$ 4,8 bilhões, crescimento de 11,6 % em relação ao mesmo período do ano anterior. A tributação dos títulos incentivados pode desestimular investidores e comprometer recursos importantes para setores como imobiliário, construção civil e infraestrutura.

Website: https://fortesec.com.br/

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