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Governo turco assume controle da principal emissora de TV crítica ao presidente Erdogan

A polícia turca assumiu, nesta quarta-feira (14), o controle da sede da principal emissora privada de oposição ao presidente de Recep Tayyip Erdogan e deteve onze funcionários. Este é o episódio mais recente de uma ampla campanha do governo contra os meios de comunicação e outros setores críticos a Erdogan.

14 out 2026 - 12h48
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Resumo
O governo turco assumiu o controle da Halk TV, principal emissora de oposição ao presidente Erdogan, interrompendo sua transmissão e prendendo jornalistas sob acusações de corrupção e fraude. A gestão foi transferida a um órgão estatal durante uma operação policial em Istambul. Críticos, sindicatos e líderes oposicionistas denunciam a medida como um ato arbitrário e autoritário para silenciar a imprensa independente e enfraquecer rivais políticos em meio a uma crescente onda de repressão no país.

A emissora e a Promotoria de Istambul divulgaram a informação simultaneamente, logo no início do dia. "A polícia está no prédio da Halk TV. Um administrador foi nomeado [para assumir o controle da empresa]. A transmissão ao vivo foi interrompida", afirmou o veículo de comunicação na rede social X.

A polícia iniciou a operação de busca e apreensão por volta de 5h30 (23h30 de Brasília), impedindo a entrada de funcionários no prédio.

"Foram emitidos mandados de prisão contra 17 pessoas, e 11 foram detidas em operações simultâneas" no âmbito de uma investigação sobre "corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro", anunciou a Promotoria de Istambul. A administração da emissora foi confiada ao Fundo de Seguro de Depósitos de Poupança (TMSF), um órgão público.

Em um vídeo compartilhado pela Halk TV no X, é possível ver o editor-chefe, Suat Toktas, conversando com o administrador nomeado para tentar convencê-lo a não interromper a transmissão ao vivo.

"O que está acontecendo é ilegal", protestou ele. Jornalistas e veículos de imprensa de oposição são constantemente alvo da justiça turca por uma série de supostas infrações, que vão desde difamação e insulto ao presidente Recep Tayyip Erdogan até corrupção ou disseminação de notícias falsas.

Jornalismo independente "em vias de extinção"

Ao todo, 17 jornalistas foram detidos, segundo o sindicato da categoria na Turquia. "A arbitrariedade utilizada pelo poder político nos últimos anos para resolver problemas atingiu, mais uma vez, a liberdade de imprensa. (...) Rejeitamos essa tirania", protestou a entidade.

"A nomeação de administradores para o comando da Halk TV (...) e a atenção exclusiva do Judiciário a programas críticos sugerem que o jornalismo independente na Turquia pode estar em vias de extinção", alerta o defensor da liberdade de imprensa Erol Önderoglu.

Para a oposição, trata-se de uma operação destinada a silenciar um dos poucos veículos críticos a Erdogan que ainda existem na Turquia.

"Invadir uma emissora de televisão na madrugada e nomear um administrador é algo que apenas ditadores fariam. Infelizmente, foi isso que fizeram com o nosso país", denunciou no X, Özgür Özel, líder do principal partido de oposição.

Serhan Asker, coordenador-geral de programas da Halk TV, fala na filial de Ancara poucas horas após uma operação policial na sede da emissora em Istambul.
Serhan Asker, coordenador-geral de programas da Halk TV, fala na filial de Ancara poucas horas após uma operação policial na sede da emissora em Istambul.
Foto: RFI

Repressão a opositores e à comunidade LGBT+

Segundo Özel, a data escolhida para atacar a Halk TV não foi por acaso: é nesta quarta-feira que Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul, preso desde março de 2025 e principal rival do presidente Erdogan, começa a apresentar sua defesa em um amplo processo por "corrupção".

O endurecimento também atinge o meio político, com a prisão de diversos representantes eleitos de partidos de oposição, lembra Anne Andlauer, correspondente da RFI em Istambul.

A tomada de controle da Halk TV ocorre duas semanas após o bloqueio do site de notícias independente T24, um dos mais importantes do país, acusado de "propaganda LGBT".

Além disso, em meados de setembro, as autoridades realizaram uma ampla ofensiva contra entidades de defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+, invadindo as sedes de organizações militantes e bloqueando suas contas em redes sociais. Um grande número de pessoas também foi preso sob diversas acusações.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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