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Fungo mais temido das tumbas egípcias vira aliado contra o câncer

28 jun 2025 - 18h09
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Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) transformaram um fungo antes temido em potencial arma anticancerígena. O Aspergillus flavus, conhecido por contaminar safras e até ser ligado a mortes em escavações antigas, agora serve como base para testar novos compostos contra células leucêmicas.

Crescimento de aspergilose. Aspergillus flavus na superfície do pão
Crescimento de aspergilose. Aspergillus flavus na superfície do pão
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Você já imaginou que um fungo perigoso pudesse salvar vidas?

Antigos relatos associam o A. flavus à chamada "maldição do faraó", após escavações na tumba de Tutancâmon, e a uma onda de mortes na cripta de Casimiro 4º da Polônia, em 1970. Nessa época, muitos pesquisadores adoeceram gravemente, e estudos modernos confirmaram que os esporos do fungo, inclusive seu pigmento amarelo - origem do nome flavus -, são capazes de causar infecções graves nos pulmões.

Os cientistas filtraram vários peptídeos produzidos pelo fungo, conhecidos como RiPPs (peptídeos ribossomicamente sintetizados e pós-traduzidos), e isolaram quatro compostos com estruturas de anéis características, chamados de asperigimicinas. Duas dessas variantes já demonstraram atividade anticâncer sem qualquer modificação adicional.

Na terceira variante, foi adicionada uma substância lipídica semelhante a um componente da geleia real das abelhas. O resultado surpreendeu: o composto teve eficácia comparável à da citarabina e da daunorrubicina — dois remédios amplamente usados contra leucemia nos EUA.

"As células cancerosas se dividem de modo descontrolado. Esses compostos bloqueiam a formação de microtúbulos, essenciais para a divisão celular", destaca a Sherry Gao, principal autora do estudo publicado na revista Nature Chemical Biology. O estudo também constatou que as moléculas atuam de forma específica: não afetam células de câncer de mama, fígado ou que respiram os pulmões, nem prejudicam bactérias ou outros fungos.

Além da descoberta das asperigimicinas, a equipe mapeou genes semelhantes em outras espécies fúngicas. Isso indica que há uma fonte rica de RiPPs esperando para ser descoberta.

O próximo passo envolve testes em modelos animais, com vistas a ensaios clínicos. Caso os resultados se confirmem, esse fungo pode marcar uma virada no tratamento contra o câncer.

Perfil Brasil
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