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'Financial Times' destaca choque ideológico entre RenovaBR e partidos brasileiros

Deputada Tabata Amaral foi escolhida como personagem condutor do texto do jornal britânico, denominada um 'respiro de ar fresco' para muitos brasileiros moderados

18 set 2019
10h59
atualizado às 12h44
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LONDRES - O jornal britânico Financial Times trouxe em sua versão online desta quarta-feira, 18, uma reportagem sobre os choques que começaram a existir do RenovaBR e outros movimentos similares com os tradicionais partidos políticos do País.

O 'FT' identificou o RenovaBR como "uma das forças políticas mais poderosas do País" desde que os escândalos da Lava Jato abalaram o Brasil
O 'FT' identificou o RenovaBR como "uma das forças políticas mais poderosas do País" desde que os escândalos da Lava Jato abalaram o Brasil
Foto: Financial Times / Reprodução / Estadão

Como personagem condutor do texto foi escolhida a deputada Tabata Amaral (PDT-SP), denominada um "respiro de ar fresco" para muitos brasileiros moderados, exaustos com as constantes controvérsias em torno do presidente Jair Bolsonaro.

A publicação descreveu que a parlamentar de 25 anos é formada em Harvard e emergiu nos últimos meses como uma estrela em ascensão da política brasileira e um contraponto ao presidente.

Explicou também que faz parte do RenovaBR, uma organização que se autodenomina uma escola de treinamento apartidária, com o objetivo de criar uma nova geração de políticos brasileiros éticos, imaculados pela corrupção e pelo sistema partidário cínico brasileiro.

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O FT identificou o movimento como "uma das forças políticas mais poderosas do País" desde que os escândalos da Lava Jato abalaram o Brasil e prevê um desempenho "importante" nas eleições municipais.

Para o jornal, assim como Bolsonaro, o RenovaBR encontrou seu nicho aproveitando o desencanto dos brasileiros com a "velha política". Ao mesmo tempo, partidos tradicionais, como o PT e o PSDB, foram vencidos.

Em sua primeira eleição, o movimento elegeu 17 novos candidatos de vários partidos, com currículos acima da média. Segundo o RenovaBR, houve o pedido de 31 mil inscrições para seu programa de treinamento.

Em rota de colisão com partidos tradicionais

A crescente popularidade do grupo, no entanto, colocou-o em rota de colisão com os partidos tradicionais, de acordo com o veículo britânico. Eles temem que os parlamentares eleitos com o apoio do RenovaBR sejam leais ao movimento, e não ao partido - uma preocupação ilustrada por Tabata.

Ela ganhou destaque por sua defesa articulada da educação no momento em que o governo de Bolsonaro anunciava cortes. "Vinda de uma família pobre de uma favela de São Paulo, sua história falava das aspirações dos brasileiros, dizem seus apoiadores. Mas Tabata votou a favor de uma contenciosa reforma previdenciária à qual seu partido e muitos brasileiros da classe trabalhadora se opuseram", comparou o diário.

'Novas políticas'

Para analistas do FT, o RenovaBR é apenas um dentre muitos grupos que buscam "novas políticas" no Brasil após a destruição causada pelo escândalo da Lava Jato. Usando técnicas diferentes, Bolsonaro está fazendo o mesmo, com suas constantes críticas às trocas de cavalos da "velha política" do Brasil.

Mas à medida que sua influência cresce, o RenovaBR é cada vez mais criticado, segundo o jornal. Com o financiamento proveniente de empresários ricos, críticos questionam se os parlamentares que ele alimenta são autônomos em suas decisões políticas ou se pertencem a seus "senhores corporativos". Em vez de renovar, eles temem que o RenovaBR seja mais um negócio no Brasil.

O fundador do movimento, Eduardo Mufarej, rejeita a ideia de que o RenovaBR busca influenciar o comportamento de voto dos eleitos sob seu guarda-chuva. Ele diz que o foco está em instilar um senso de ética política em uma nação que se recupera da corrupção.

Após uma lucrativa carreira em private equity, Mufarej estabeleceu o RenovaBR em 2017, em meio às consequências da Lava Jato, que implicou dezenas de políticos e empresários entre os mais proeminentes do Brasil em acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele argumentou que, inicialmente, queria promover mudanças por meio de partidos tradicionais, mas rapidamente ficou desiludido com as regras e o comportamento já arraigados.

Estadão
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