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Fepam exige mudanças em projeto de ponte entre Imbé e Tramandaí para proteger botos

Fundação ambiental veta construção de pilares no leito do rio e solicita novos estudos sobre impacto ambiental

27 ago 2024 - 12h01
(atualizado às 12h05)
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A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) determinou alterações no projeto para a construção de duas novas pontes entre as cidades de Imbé e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de proteger os botos que habitam a Barra do Rio Tramandaí. A decisão foi noticiada pelo jornalista Jocimar Farina, em matéria publicada pelo portal GZH nesta segunda-feira, 26 de agosto.

Após quase um ano de análise, a Fepam solicitou modificações significativas no projeto inicial, desenvolvido pela Garden Consultoria Projetos e Gestão, que previa a construção de duas pontes de 180 metros de extensão sustentadas por 16 pilares no leito do rio. Agora, a fundação exige um novo plano que elimine a instalação desses pilares dentro da água, visando minimizar o impacto sobre os botos, que têm um papel crucial na pesca de tainhas, cooperando tradicionalmente com os pescadores locais.

Além das alterações estruturais, a Fepam também solicitou estudos complementares para avaliar o impacto do projeto no tráfego urbano dos bairros Barra e Centro, em Tramandaí, e ao longo da Avenida Nilza Costa Godoy, em Imbé. Outra preocupação da fundação é o impacto sonoro das obras sobre os botos. A empresa responsável tem até novembro para ajustar o projeto e apresentá-lo novamente.

O custo estimado para a construção da nova ponte na Barra do Rio Tramandaí é de aproximadamente R$ 40 milhões, sendo esta a opção mais econômica dentre as alternativas em análise. Uma outra proposta, que envolve a construção de uma ponte de 1,6 quilômetro passando pela lagoa do Armazém, teria um custo consideravelmente maior, estimado em R$ 142 milhões. Ambas as opções estão sujeitas a novas revisões de documentos exigidas pela Fepam, com prazo até outubro para submissão.

Desde 2022, quando uma audiência pública foi realizada para discutir os impactos ambientais do projeto, pesquisadores e pescadores locais têm expressado preocupação com a preservação da pesca cooperativa entre botos e humanos, prática cultural e economicamente significativa para a região.

A continuidade do projeto está condicionada à conclusão de um estudo ambiental detalhado, que definirá se a construção é viável. O contrato original com a Garden Consultoria, avaliado em R$ 210,84 mil, foi firmado com previsão de entrega para setembro de 2022, mas sofreu atrasos devido a aditivos contratuais, sendo estendido até 2024. Após a aprovação final da Fepam, será necessário contratar o projeto executivo, que detalhará o modelo estrutural e a capacidade de carga das pontes, antes da seleção da empresa responsável pela execução das obras.

A ponte atual, que conecta Imbé a Tramandaí, foi construída na década de 1950 e ampliada nos anos 1980. Com o aumento do fluxo de veículos, especialmente no verão, a infraestrutura existente já não atende às demandas da população, que aguarda há mais de duas décadas por uma solução definitiva.

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