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Exame de sangue para Alzheimer avança e pode transformar diagnóstico da doença

Em evento promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, pesquisador referência mundial em biomarcadores afirmou que testes sanguíneos para Alzheimer já alcançam 95% de precisão diagnóstica

19 mai 2026 - 13h03
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A possibilidade de diagnosticar o Alzheimer por meio de um exame de sangue vem ganhando força nos principais centros de pesquisa do mundo. Os avanços mais recentes nessa área foram apresentados pelo pesquisador sueco Kaj Blennow durante o Clinical Research Summit 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Foto: Divulgação / HMV / Porto Alegre 24 horas

Considerado um dos principais especialistas do mundo em biomarcadores para doenças neurodegenerativas, Blennow mostrou pesquisas voltadas ao uso de exames de sangue na identificação precoce do Alzheimer. A proposta é ampliar o acesso ao diagnóstico e reduzir a dependência de métodos caros, como o PET scan cerebral, e de procedimentos invasivos, como a coleta de líquido cefalorraquidiano por punção lombar.

Segundo o pesquisador, os novos testes medem proteínas associadas às alterações cerebrais características do Alzheimer, especialmente biomarcadores relacionados à proteína tau. "A fosfo-tau, especialmente a p-tau217, tem um excelente desempenho para detectar Alzheimer em fases precoces. Ela se correlaciona muito bem com as alterações observadas no cérebro", explicou.

Os estudos apresentados durante o evento mostram que a combinação desses biomarcadores sanguíneos já alcança cerca de 95% de precisão para confirmar ou excluir a presença da doença em pacientes com declínio cognitivo, especialmente quando aplicada a estratégia de classificação por grupos de risco. "É um resultado promissor. Estamos nos aproximando de um cenário em que um exame de sangue poderá auxiliar de forma muito confiável o diagnóstico clínico do Alzheimer", afirmou.

Blennow destacou, no entanto, que a estratégia não deve ser utilizada inicialmente como rastreamento em massa da população. O foco, segundo ele, será apoiar a investigação de pessoas que já procuram atendimento médico por sintomas como lapsos de memória ou dificuldades cognitivas: "o objetivo não é testar indiscriminadamente pessoas saudáveis, mas ajudar pacientes que já chegam preocupados aos serviços de saúde".

Além da precisão diagnóstica, os pesquisadores enxergam nos exames de sangue uma possibilidade concreta de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente em serviços de atenção primária e regiões sem infraestrutura avançada de imagem. Durante a apresentação, Blennow também apresentou resultados de estudos com coleta capilar por gota de sangue seca, tecnologia semelhante à utilizada em testes rápidos. A proposta é permitir futuramente análises mais simples, inclusive em locais remotos.

Apesar do avanço, o pesquisador ponderou que os testes ainda passarão por etapas de validação antes de serem incorporados de forma ampla à rotina clínica. "Os resultados são muito promissores, mas ainda levará algum tempo até que esses exames estejam amplamente disponíveis para toda a população", concluiu.

Os biomarcadores para Alzheimer ganharam relevância internacional nos últimos anos diante do crescimento de terapias capazes de retardar a progressão da doença em estágios iniciais. Por isso, identificar precocemente os pacientes tende a se tornar uma etapa central no manejo clínico da enfermidade. Para Kaj Blennow, os exames de sangue representam um dos caminhos mais promissores para tornar esse diagnóstico mais acessível, rápido e preciso nos próximos anos.

Clinical Research Summit 2026

Com foco nos avanços e desafios da pesquisa clínica, Porto Alegre sediou, nos dias 12 e 13 de maio, a segunda edição do Clinical Research Summit 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento. O encontro reuniu cerca de 500 participantes, entre pesquisadores nacionais e internacionais, representantes da academia, hospitais, indústria farmacêutica, órgãos reguladores e instituições públicas de saúde. Ao todo, foram realizadas 16 palestras e mesas de discussão sobre temas estratégicos para a área, como inteligência artificial, medicina personalizada, inovação em saúde, regulação e os desafios da pesquisa clínica no Brasil.

Porto Alegre 24 horas
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